segunda-feira, 13 de março de 2017


Portugal pode ser um país pequeno, mas ainda assim, existem muitos entusiastas de automóveis com os bolsos bem recheados de dinheiro.

Hoje apareceu no Standvirtual um carro raríssimo da Jaguar. Trata-se de um F-Type Project 7. Para quem não sabe, foi uma edição limitada a 250 unidades que leva o conceito do F-Type ao extremo. Com o motor de 5000 cm3 a debitar 576 cv de potência consegue atingir os 100 km/h em apenas 3,8 segundos. Não é apenas um Jaguar raro, este é também o Jaguar mais rápido de sempre. 


O F-Type Project 7 foi feito em homenagem Às 7 vitórias nas 24 horas de Le Mans que a Jaguar conseguiu obter com o D-Type. Aliás, tal como o D-type, todo o chassis do F-Type Project 7 é totalmente em alumínio, o que faz com que perdesse 80 quilos em relação ao modelo de produção normal com motor similar. 


Sabe-se que 50 destes F-Type Project 7 foram para o USA, daí que apesar do preço avultado, investir neste carro é ideia melhor do que depositar o dinheiro no banco. É um clássico instantâneo e o seu valor só tem tendência a subir. 

Por enquanto, podem ver o anúncio aqui no Standvirtual. Para além disso, também podem ver 2 carros muito especiais que já estiveram à venda nos classificados portugueses. Falo do Maserati de David Coulthard e do Aston Martin encomendado pela família real do Brunei.






segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Os japoneses nos finais dos anos 80 e inícios dos anos 90 deram ao mundo os mais espectaculares e inovadores carros desportivos. Nessa época, a economia japonesa estava em altas e as marcas de automóveis, que até há pouco tempo restringiam-se a vender carros utilitários para todo o mundo, viram-se com dinheiro para investir e quiseram subir a fasquia para os mercados premium. O resultado foi carros como o Honda NSX, ou o Nissan 300ZX, Toyota Supra, Mitsubishi 3000 GT, a criação da Lexus e muito mais... 
Na altura, também a Subaru estava a querer dar nas vistas, depois de todos os seus concorrentes terem feito carros que espantaram o mundo, a Subaru necessitava de um "Halo Car" para que as pessoas falassem da marca e visitassem os seus stands. Foi então que a Subaru avançou com o SVX, um sonho que os engenheiros da Subaru quiseram tornar realidade.


SVX quer dizer Subaru Vehicle X. Foi um carro que em termos de design foi desenvolvido em cooperação com Giorgetto Giugiaro. Não existe nenhum carro como este. Na altura era um carro extremamente futurista com um cockpit inovador que dava ao condutor uma vista da estrada e do seu redor bastante ampla. As janelas do carro não acabavam na extremidade da porta como é convencional, mas sim a meio da janela... O resultado era estranho, mas tinha uma vantagem bastante grande quando o condutor as abria com o carro em andamento, assim o vento entrava no carro de uma forma mais suave e logo mais agradável. Aliás um das grandes premissas deste carro era o conforto sem sacrificar a performance. Sim, a marca que é conhecida pelos seus carros à prova de bala que dominaram os troços de rally nos anos 90, criou um carro tão confortável, que até punha metade do cinto de segurança quando entravam dentro do carro!

Voltando ao Cockpit, desenvolvê-lo, foi um pequeno pesadelo para a Subaru. A forma arredondada dos vidros e a quase ausência de um pilar B trouxeram vários problemas para a rigidez do chassis e para a produção do vidro para os pára-brisas. Mas a Subaru não olhou a despesas e determinou que este cockpit era uma forma de destacar o SVX da concorrência. Uma das dificuldades era a grossura do vidro que distorcia a visão da estrada o que trazia graves problemas a nível de segurança. Também como este carro tinha uma maior superfície de vidro em relação aos outros, a Subaru teve de arranjar um vidro que não fizessem efeito de estufa em dias de sol. Mas eles conseguiram e mesmo nos standards de hoje este cockpit foi um feito de engenharia incrível e até hoje continua a ser um design original.


Os engenheiros da Subaru requisitaram para este SVX o maior motor que tinham disponível na altura. Um motor boxer 6 cilindros 3.3 litros, capaz de produzir 230 cv de potência e 310 N.m de binário. Como era de esperar, era um carro com AWD, com sistema Variable Torque Distribution. O que isto quer dizer é que sempre que uma roda perdesse tracção o binário era transferido para as outras, isto aliado com diferecial autoblocante e um sistema ABS de 4 vias (ou seja um sensor por roda), fazia com que este carro tivesse um comportamento em estrada fenomenal seja em que condições que a estrada tivesse. Arranques com chuva? Destruía completamente qualquer outro carro. Curvas? Era um automóvel extremamente neutro, nem subviragem, nem sobreviragem, um automóvel em que o condutor podia entrar em qualquer curva a uma velocidade elevada sem problemas. Aliás podem ver nestes dois vídeos o quão incrível era este automóvel a nível técnico. 



Por esta altura podem estar a pensar. Bem este carro era tão espectacular, porque é que nunca ouvi falar dele? Bem, o SVX tinha um calcanhar de aquiles e essa foi ter como única opção uma caixa automática de 4 velocidades. Era uma caixa pouco fiável, pois foi uma caixa que tinha sido desenvolvida para motores com 88 cv de potência. Digamos que quando colocaram a caixa de velocidades num motor com mais de 200 cv, obviamente que só podia dar asneira. Mas a decisão para colocar uma caixa automática foi perfeita para a filosofia deste carro. Os engenheiros da Subaru não queriam fazer o melhor carro desportivo, na altura, era o que todas as outras marcas estavam a tentar fazer, o que a Subaru se propôs a fazer foi o melhor Grand Tourer que o mundo alguma vez viu. 

Nobumasa Saeki (Director Geral da Subaru) quis desenvolver um carro que fosse confortável e que envolvesse o condutor na experiência de conduzir. Aliás, foi por causa do querer envolver a pessoa na condução que a Subaru teve tanto trabalho em colocar o mais vidro possível no cockpit do carro. O sistema AWD fazia com que a pessoa que conduzisse este carro pudesse ir do ponto A ao ponto B sob qualquer circunstância temporal, sem dramas e sem preocupações. Aliás, o carro era tão bom em grandes viagens que o slogan que a Subaru escolheu para o carro foi "500 miles a day".


Infelizmente, as pessoas não se interessaram muito pelo SVX. Preço era demasiado alto e quando foi lançado o Impreza, o SVX acabou por cair no esquecimento. Os poucos modelos que existem neste momento, têm um valor comercial bastante baixo, apesar da sua raridade, mas é possível que daqui a uns anos, o valor do carro suba exponencialmente, pois é sem dúvida um carro único. 

Se por acaso virem um à venda e pensarem em não o trazer por causa do problema da caixa de velocidades, existem várias maneiras de colocar outras caixas de velocidades mais robustas ou até mesmo colocar uma caixa manual. Já todos sabemos que os engenheiros da Subaru adoram fazer carros que tenham a maioria dos componentes compatíveis com outros modelos, o SVX não é excepção. Se por outro lado quiserem manter o carro original, tenham cuidado com arranques e acelerações bruscas. Também é de referir que apesar de ter uma caixa automática, existe um modo manual, onde o condutor pode escolher a velocidade que vai, o que é um bom extra e mais uma característica única deste SVX.

Podem aprender mais sobre este carro vendo série de vídeos que a Subaru fez para quem comprava o SVX (Uma espécie de manual do carro em vídeo). Também podem ver a review do carro no Motorweek ou a sempre interessante review do Mr. Regular, do Regular Car Reviews.
Para além disso também podem ler este artigo do blog Japonese Nostalgic Car. É um artigo bastante interessante que penso que faz uma boa cobertura deste carro e dos seus criadores.

O Subaru SVX foi um sonho que os engenheiros da Subaru perseguiram de forma determinada. Foi um carro difícil de desenvolver, foi um carro onde a Subaru perdia 3000 dólares por cada SVX que era vendido e mesmo assim, apesar dos contras todos, foi um carro que foi tornado realidade. Foi pena que o sonho da Subaru não estivesse em sintonia com aquilo que os clientes sonhavam, que na altura era ter um carro Japonês de alta performance mas a um preço bastante reduzido face à concorrência Alemã e Americana. É um carro que fica para a história e é um carro com um potencial de valorização bastante elevado. Por isso se virem um, agarrem-se a ele!






quinta-feira, 22 de dezembro de 2016



Noutro dia, no café, oiço um grupo de pessoas em amena cavaqueira sobre combustíveis e a conversa resvalou para os consumos dos carros e todas as trafulhices e até mitos de como eram feitos os testes e de como os testes eram uma farsa. Antes de também irem buscar as vossas foices e ancinhos, vamos analisar estes testes e vamos ver se realmente são datados, se são trafulhice, e se é possível realmente fazer os consumos que as marcas anunciam. 

Mas como funcionam os testes?

Na Europa a norma pela qual se fazem os testes de emissões e consumo é a NEDC (New European Driving Cycle), apesar do nome referir, "new", é um teste que remonta dos anos 70 e a última vez que foi alterado foi em 1997. Uma das principais críticas a este ciclo de testes que simula a típica utilização de um veículo em cidades europeias é que já é muito datado, tem alguns pressupostos que dificilmente as pessoas vão abdicar e para além disso é um ciclo que não reflecte em nada a típica condução de uma pessoa.

Quando um automóvel é sujeito ao teste NEDC o veículo deve ser testado numa superfície plana sem vento, no entanto, como é difícil arranjar essas condições, os carros são testados em bancos de ensaio. Os bancos de ensaio estão equipados com um aparelho que simula a inércia do carro (peso do carro) e o coeficiente aerodinâmico para simular a resistência ao ar. Algumas pessoas pensam que a única coisa que as marcas fazem é colocar gasolina num motor e colocam esse motor a fazer o teste de consumo, mas isso é um mito. O carro tem de estar lá todo a rolar em cima dos rolos do banco de ensaio, daí as diferenças de consumos do mesmo motor, em carroçarias diferentes.
Para além disso, o carro tem de estar frio. (temperaturas ambientes entre os 20-30º) e tem de ser testado com todos os aparelhos eléctricos desligados, assim como o ar condicionado.



Existem dois testes o Urban Driving Cycle (UDC) criado em 1970 e o Extra Urban Driving Cycle (introduzido em 1990).

O (UDC), é caracterizado por baixos andamentos, baixas temperaturas de gases de escape e velocidades máximas até aos 50 Km/h. Eis como é feito o teste UDC:
O carro deve ligar o motor a frio e estar inerte por 11 segundos. Depois o carro deve acelerar até aos 15km/h em 4 segundos e manter essa velocidade por 8 segundos, de seguida tem 5 segundos para travar o carro completamente e estar parado durante 21 segundos. Depois desta paragem, o carro deve voltar a acelerar até aos 32Km/h em 12 segundos e passar para 2ª mudança, deve manter a velocidade durante 24 segundos e depois deve desacelerar o carro até parar completamente em 11 segundos, e deve ficar novamente 21 segundos parado. O carro volta a acelerar desta vez até aos 50Km/h em 26 segundos passando de 1ª para 2ª e depois 3ª, com intervalos de 2 segundos entre as passagens de caixa, deve manter a velocidade durante 12 segundos, e de seguida deve desacelerar o carro para os 35km/h em 8 segundos, manter a velocidade por mais 13 segundos e parar completamente em 12 segundos e deve ficar inerte por 7 segundos. O ciclo deve acaba em 117 segundos com uma distância percorrida de cerca de 994 metros. Este ciclo é repetido mais 4 vezes o que já coloca a distância percorrida nos 3976 metros, numa duração total de 13 minutos e uma média de velocidades de 18,35 km/h.

O EUDC representa uma condução a velocidades mais elevadas. Este ciclo começa com uma paragem de 20 segundos e de seguida o carro deve acelerar suavemente até aos 70km/h em 41 segundos (deve usar a 4ª velocidade) e deve manter-se nos 70km/h durante 50 segundos ao mesmo tempo que coloca a 5ª velocidade), depois deve desacelerar até aos 50km/h em 8 segundos e manter a velocidade por 69 segundos. Depois deve acelerar para os 70km/h em 13 segundos. 
De seguida o carro deverá manter a velocidade dos 70 km/h por 50 segundos em 5ª e depois deve acelerar até aos 100 km/h em 35 segundos, manter a velocidade por 30 segundos em 5ª ou 6ª. Finalmente o carro deve acelerar até aos 120 km/h em 20 segundos, manter a velocidade durante 10 segundos e depois deve travar até parar em 34 segundos. Depois deve estar parado durante 20 segundos.
A duração total deste teste é de 6 minutos e 40 segundos e tem uma distância de 6956 metros com uma velocidade média de 62,6 km/h.

No total destes testes, depois é calculada o consumo combinado entre o UDC e o EUDC e é daqui que vem os 3 números que nos dão o consumo do carro. 

Como podem ver estes testes são datados, têm muitas paragens e acelerações bastante suaves e para além disso são permitidas algumas batotas para melhorar o consumo, como por exemplo, colocar mais ar nos pneus do que o recomendado, é permitido que os testes sejam efectuados com um deficit de velocidade de 2km/h e no final disto tudo as marcas ainda podem reduzir os resultados do final de um ciclo em 4%, pois é a margem definida para erro. Para além disso é um teste tão peculiar, que facilmente os fabricantes de automóveis podem colocar código no software do carro para detectar quando está a ser testado e entrar em modo de poupança (Veja-se o caso Dieselgate do Grupo Volkswagen). Por outro lado é um teste que é justo para todos os veículos e apesar do tempo, muitas das novas tecnologias apresentadas hoje, que melhoram os consumos, são reflectidas no teste. Por exemplo, neste teste, um carro com Start&Stop vai ter uma vantagem em relação ao que não tem essa tecnologia. Os híbridos com modo eléctrico também vão conseguir obter boas médias nestes ciclos, já que durante a maioria dos percurso não gastam combustível. Mas ainda assim é um teste que não explora totalmente a utilização do veículo na vida real, existem muitas situações que não são espelhadas nos testes e daí à maioria das pessoas não conseguir obter os consumos anunciados pelas marcas. Não é culpa das marcas (embora devam existir lobbys por todo o lado para manter as coisas como estão), é assim o sistema, é assim as regras e assim os consumidores conseguem facilmente ver qual é o veículo mais económico com este teste.

Felizmente, está a ser preparada uma nova norma que vai mudar radicalmente a forma como os carros são testados para obter os consumos e as emissões. Espera-se que com esta nova norma se obtenham testes mais aproximados da realidade e como consequência, deverá dar aos consumidores valores de emissões mais exactos. Um dos grandes entraves no entanto é que assim que este novo teste for lançado, os veículos que antes anunciavam 4 litros aos 100 km, vão passar a gastar 5 ou 6 litros aos 100 km, e as marcas não gostam disso. É como se os seus carros de repente passassem a ter pior performance. Um dia vai acontecer, mas até lá vamos ter de nos aguentar com este sistema.

Agora que já sabem como funcionam os testes vão aqui algumas dicas para atingir os valores anunciados, sim, os testes são datados e são feitos de uma forma bastante fora daquilo que o condutor normal faz no dia a dia, mas ainda assim, é possível adaptar a nossa condução para obter melhores consumos. Já me passaram pelas mãos vários carros e com algum conhecimento dos percursos e do carro é possível fazer tão bom ou melhor do que as marcas anunciam. De notar no entanto que nem todos os percursos dão para obter consumos anunciados pelas marcas, e de notar os elementos externos que não são contemplados nos testes, como por exemplo as condições meteorológicas. É claro que num percurso de montanha o vosso carro não vai fazer o consumos anunciado (a não ser que tenham tantas subidas quanto descidas) e é claro que num dia chuvoso e de muito vento os consumos também vão aumentar.  

1. Aumentar a pressão dos pneus um pouco
Se as marcas o fazem nos testes, nós também podemos fazer. Ter mais 0,2 bar do que está anunciado pela marca na pressão de um pneu ajuda o consumo e não tem um grande impacto na aderência do carro. 

2. Não usar ar condicionado, nem rádio, nem nada eléctrico
O não usar ar condicionado é óbvio, é um luxo pelo qual às vezes não podemos viver, mas a verdade é que nos testes, estes componentes vão todos desligados, logo existe vantagem em fazê-lo. Se ir com o ar condicionado é tolerável às vezes, ir sem rádio pode ser bem mais complicado, mas a utilização de componentes eléctricos faz descarregar a bateria o que faz com que o alternador tenha de ser accionado para carregar a bateria o que faz com que haja mais atrito e logo mais consumo. (Eu por acaso habituei-me a conduzir sem ouvir rádio, mas sei que para muita gente um carro sem rádio é o mesmo que um carro sem rodas...)

3. Não andar com os vidros abertos
Andar com os vidros abertos, aumenta o coeficiente aerodinâmico o que faz com que aumente o consumo. No caso dos descapotáveis, andar com a capota aberta, aumenta também o consumo.

4. Manter o peso baixo
Os testes são realizados com um condutor sozinho. Não esperem obter os mesmos consumos que nos testes quando viajam com o carro completamente ocupado por outras pessoas e cheio de tralha. 20kg foi quanto a VW conseguiu reduzir em peso do Golf 6 para o Golf 7 e consequentemente conseguiu reduzir o consumo do carro com basicamente o mesmo motor. A única maneira de obterem o consumo que está no papel é de andarem com o carro o mais leve possível.

5. Pensar à frente
Numa conversa sobre consumos com pessoas com os mesmos carros é normal existir uma que consegue fazer menos 2 ou 3 L/100km do que outra. Uma dessas pessoas tem uma condução muito mais suave. Lembrem-se que nos testes UDC e EUDC as acelerações e as travagens são feitas de forma muito progressiva e suave. Não é que seja uma táctica que se pode usar todos os dias e em todas as situações, mas acreditem que assim que começarem a usar o acelerador e o travão de forma doseada os vossos consumos vão baixar dramaticamente. Para pensar à frente devem estar muito atentos ao percurso que vão fazer e ao que está em vosso redor.

6. Conhecer o percurso
Provavelmente, os melhores consumos que fizeram no vosso carro, foi a fazer o vosso caminho para o trabalho. A repetição do caminho, faz com que o conheçam de trás para a frente e assim conseguem usar em pleno a dica anterior. Existem coisas que podemos planear se já soubermos o que vai acontecer. Por exemplo, se estou numa descida e sei que a seguir vem uma subida devo acelerar para tomar balanço. Se sei que existe um semáforo de velocidade, devo manter a minha velocidade de modo a não disparar o semáforo. Se sei que a curva X pode ser feita no máximo a 50 km/h, não vale a pena estar a acelerar para depois travar e desperdiçar combustível, na saída da curva... Tal como nos testes que está tudo premeditado e calculado, a única maneira de conseguirem bons consumos é saberem tim-tim por tim-tim o vosso caminho e usá-lo em vosso proveito para poupar.

7. Conhecer o carro
Não esperem que quando acabam de sair com um carro do stand que consigam obter grandes consumos. Só passado algum tempo de habituação é que conseguem realmente saber quando devem fazer as passagens de caixa e que força devem aplicar o acelerador, etc. No caso de pessoas que passam de um carro normal para um híbrido como o Toyota Prius, por exemplo, a habituação vai demorar ainda mais tempo.

8. Manutenção em dia e bem feita
Ter o vosso carro em plena forma é fundamental para obter os consumos que a marca anuncia. Esqueça o usar o óleo de batatas fritas, esqueçam o levarem o vosso carro ao zé das chaves e esqueçam o adiar substituição de seja aquilo que for. O vosso carro se for bem tratado e seguir à risca o que é recomendado pela marca é a única forma de obter uma boa performance e consequentemente um bom consumo.


Da minha experiência com carros que conduzi durante algumas semanas, usando estas técnicas e principalmente no percurso que faço para o meu emprego consigo obter consumos melhores ou iguais aos anunciados pela marca. Num percurso de 50 km de Alcobaça a Leiria indo pela estrada nacional e respeitando os limites de velocidade, num Nissan Pulsar 1.5 DCI consegui obter uma média recorde de 3 L/100km. O consumo misto anunciado desse carro é de 3,6 L/100km. Num Smart Forfour 1.0 de 71 cv consegui fazer 4,1 L/100km e o anunciado é de 4,2 L/100km. Não quer com isto dizer que não existem carros que realmente tenham números de consumos optimistas de mais, mas a verdade é que com alguns cuidados e condução ecológica é realmente possível chegar perto, ou até mesmo ultrapassar o que foi obtido em testes altamente controlados e datados. 

domingo, 27 de novembro de 2016

Caros leitores, vocês sabem qual é um dos meus passatempos favoritos de sempre? Estar a ver anúncios de classificados nos mais variados sites online. Na altura em que andava à procura do meu desportivo, gastava todos os dias cerca de 2 a 3 horas a procurar... isto durante 24 meses! Pode parecer obsessão, mas no final até compensou e é um estranho vício procurar carros e ver preços, e ver características, imaginar como seria ser proprietário do carro e claro todo aquele exercício mental do será que está bom? E o preço é bom? Então e os extras? E será que vai valorizar? Acreditem que é mesmo um vício... Qual TV, qual Playstation, qual correr, qual facebook... Dêem-me um telemóvel com acesso à internet e tenho entretenimento para um bom par de horas...

De vez em quando apanho coisas bastantes interessantes no Standvirtual, ou OLX... Lembro-me de ter encontrado um Jaguar XJ8 que tinha estado ao serviço do Ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo Protuguês, e que depois foi enviado para servir o Embaixador Português em Marrocos e depois voltou para Portugal para ser vendido. Já me cruzei com o BMW Série 7 blindado, com motor V12 que esteve ao serviço de Cavaco Silva, quando era primeiro ministro... São carros que aparecem de vez em quando e pronto, só por terem sido usados por famosos, parece que ganham um aura, uma espécie de extra... Imaginem isto: O que é mais interessante? Dizer que compraram um BMW série 7 a gasolina com um V12 ou dizerem que compraram um BMW Série 7 a gasolina V12, blindado e que foi usado para transportar o Cavaco Silva? 
(Malta, não sou fã do cavaco nem tenho qualquer afiliação ao PSD ou a qualquer partido)

Neste preciso momento podem encontrar duas máquinas que realmente se transcendem por terem sido usados ou feitos de propósito para alguém famoso. E ao contrário dos exemplos que citei em cima, são carros desportivos.



O que é que acontece quando tens mais de 20 biliões de dólares e és completamente obcecado por carros? Ora acabas por ter uma das maiores e mais exclusivas colecções de carros do planeta... Mais propriamente 7000 carros de alta performance ou de luxo. Na garagem desta família existem 600 Rolls-Royce, 300 Ferraris, 134 Koenigseggs, 11 Mclarens F1 e muito mais...
Este Aston Martin DB7 foi feito de propósito para esta família e chegou a ser enviado para o Mónaco, onde eles têm residência. Não sei, o que aconteceu, mas o carro acabou por voltar para Portugal e agora está para venda no Standvirtual. O carro até vem com uma pequena insígnia a dizer que de facto foi feito especialmente para a Família Real do Brunei, de acordo com as suas especificações e escolhas de extras, cores e interiores. 


O Aston Martin DB7, não foi propriamente um grande Aston... Tinha alguns problemas de fiabilidade e existiam muitas peças que foram tiradas do armazém da Ford. Mas é um Aston Martin... Pá e para mim todos os Aston Martins são carros que não deixam ninguém indiferente. Era sem dúvida um carro que não me importava de ter na minha garagem e certamente que o facto de ter sido feito para a Família Real do Brunei, é algo que torna um carro especial e exclusivo, ainda mais especial e exclusivo!


Em 2006 a Maserati decidiu oferecer aos pilotos da Redbull e da Scuderia Toro Rosso um Maserati Gransport. O carro vinha substituir o GT que não era mau, mas precisava de algumas melhorias para ser realmente épico. O 4200 Gransport veio resolver muitos problemas e refinar ainda mais o carro. 
David Coulthard, Christien Klein, Vitantonio Liuzzi e Scott Speed, receberam todos um Gransport para se poderem deslocar durante a temporada de F1 desse ano. 

Na altura a Redbull usava motores Ferrari, por isso é que a Maserati ofereceu-lhes estes carros. Em 2006 a Redbull racing ainda estava a dar os primeiros passos e não era uma força a ter em conta, como se veio a verificar noutras temporadas de F1. 

O Gransport de David Coulthard, acabou por ser vendido a um coleccionador Português e agora está há venda no Standvirtual. O carro também tem insígnias com o nome David Coulthard, para ele ter a certeza que estava a entrar no carro certo, talvez? Tudo o que sei é que é bastante incrível o carro ter vindo parar aqui. Tal como DB7, ter um carro que foi feito de propósito a um piloto tão emblemático como David Coulthard é incrível. E o Maserati 4200 Gransport é um desportivo excepcional, daí que é uma situação Win-Win. 



Agora se tivesse de escolher? Bem eu adoro Aston Martins, mas eu neste caso definitivamente ia para o Maserati Gran Sport. É um carro espectacular e na minha opinião é mais fixe dizer que tenho o carro do David Coulthard do que dizer que tenho o carro da família real do Brunei que provavelmente, nunca ninguém dessa família chegou sequer a sentar-se no carro. Pelo menos no caso do Maserati, tenho provas que realmente o David Coulthard esteve sentado no carro e o usou. ;)





segunda-feira, 21 de novembro de 2016


Já fez, talvez, uns 2 anos desde que tive a experiência de conduzir um Ferrari. Quando sai do carro, estava todo entusiasmado para ir escrever no blog do We Like Cars sobre essa experiência e depois de algumas horas a escrever e a rescrever, a apagar e a começar de novo, decidi desistir da ideia por esse dia... No dia seguinte tentei outra vez sem sucesso... Talvez quando enviarem o vídeo da experiência, eu consiga... não. E passou uma semana, um mês, um ano e hoje estou aqui a tentar falar sobre aquilo que não consegui transcrever para um documento digital, outra vez.

Existem alguns factos que as pessoas têm de ter em conta quando se sentam num super carro. É que são carros de outra liga, são carros de outro mundo, não é nada como o carro que conduzem todos os dias. As pessoas caem no erro em dizer: "Mas tem 4 rodas, como todos os, outros, um motor, como todos os outros, volante como todos os outros..."
Sim, os componentes são como todos os outros, mas é o mesmo que dizer que o avião dos irmãos Wright é a mesma coisa que um caça F18 ou F22, ou seja lá qual for o F que está hoje em vigor...

A grande diferença entre o Super Carro e o Carro normal é a palavra Super! Pode parecer estúpido, mas hoje em dia, devido aos abusos do marketing, em chamar super isto, super aquilo, parece que super não é nada de especial. Bolas, hoje já ninguém vai ao Super mercado, vamos antes ao Híper, que é mais do que super! Mas quando um carro é categorizado pela imprensa como sendo um Super carro, atenção... pois aquilo é um animal radicalmente diferente dos carros que conduzimos no dia a dia. 

Um super carro e um carro é como um tigre está para um gatinho. São basicamente a mesma coisa, em termos de ADN é 99,9% igual... mas é a diferença entre levares um arranhão, ou da tua cabeça ser arrancada, enquanto que o teu corpo é rasgado e picado até não sobrar nada.

Quando entrei no Ferrari 360 Modena, já na altura não era um dos melhores Super Carros que existia. Com um V8 a debitar 400 cavalos de potência, já existiam muitos carros que ultrapassavam largamente essa potência. Mas meus amigos... a forma como estes 400 cavalos vos é entregue é das coisas mais brutais que já experimentei. Esmagar o acelerador deste carro é o mesmo que abrir as portas do inferno. E eu não digo isto de ânimo leve, eu medi bem estas palavras antes de as escrever, é a única frase que o meu cérebro arranjou para descrever aquilo que eu senti quando passei do meu Mazda 2 de 86cv para um Ferrari com 400. Abrir as portas do Inferno.

Eis o que acontece quando esmagas o acelerador do Mazda 2. Se tiveres em primeira ele anda, se arrancares em segunda ele vai abaixo... Ok, se tiveres em altas rotações e esmagares o acelerador ele pode ou não andar mais... Até te pode pedir para meteres uma abaixo para passares dos 90km/h para os 92km/h... E tens todo o tempo do mundo para pensar... Aliás neste carro tu podes conduzir, e pensar naquilo que vais fazer quando chegares a casa: "dar comida aos gatos, fazer jantar, depois ver um episódio de Stranger Things..." Se tiveres uma longa viagem como eu tenho até chegar a casa, de repente estás a pensar onde estará a raça humana daqui a 20 anos, será que vamos ter carros voadores? E o sentido da vida? Será que o universo continua em expansão? E quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha?

Agora quando esmagas o acelerador de um Ferrari 360... Aqui depende se estás a usar a caixa automática F1 ou se estás a ser tu a colocar as mudanças com as patilhas no volante. Se o carro está numa quarta e tu de repente esmagas o acelerador sem usar as patilhas, ouves um "Táque táque" e depois os objectos que estão muito longe ficam logo ao pé de ti... Se tu usares as patilhas, é uma torrente de aceleração implacável... A aceleração aqui não é bem dos 0-100 que se mede, é dos 0 aos "oh oh... vou ser preso".

Vocês que jogam nas Playstations e Xboxes (para não ferir susceptibilidades) sabem aquele efeito dos jogos de condução em que quanto mais rápido aceleras a tua visão começa a ficar afunilada e ligeiramente desfocada. Pronto, isso é um efeito que existe mesmo na vida real quando começas a puxar por um Ferrari com 400 cv. Aqui não há tempo para nada, ou tu usas cada sinapse dos teus milhões de neurónios para conduzir este carro como ele quer ser conduzido, ou então estás morto. 

Acelerar neste carro é de cortar a respiração, curvar neste carro, põe em dúvida as leis da física, travar com este carro pode provocar paragem cardíaca, ou fazer recuperar alguém de uma paragem cardíaca... Se tu conduzires este carro como ele quer, e acredita em mim, este carro quer que tu andes com ele como se fosse um F1, o teu corpo vai passar um mau bocado. E depois vem a questão do facto de teres um cu e o facto de que quem tem um tem medo. É um carro que rapidamente se transforma numa sensação fabulosa para uma sensação de terror. Principalmente porque as coisas passam por ti de uma forma muito rápida, e a outra razão é que se perderes o controlo do carro, para além de ficares a pagar um carro para o resto da tua vida, podes morrer. 
Dito isto é muito engraçado conduzir um Ferrari!

Mas a sério que é. Ter um super carro é como ter uma montanha russa privada. E sim é um carro que também dá para andar devagar, mas não é um carro que possa ser conduzido de forma mundana, como nós conduzimos os nossos "Daily Drivers". Por exemplo, hoje que choveu a potes vinha completamente tranquilo com o Mazda 2. Se tivesse o Ferrari ia a conduzir com ele com a precisão de um cirurgião para não fazer nada que me fizesse ficar virado para trás ou de pernas para o ar. Aliás, quando fui andar no Ferrari 360, o funcionário disse-me que se tivesse a chover a experiência teria de ser mudada para outro dia. Sempre que passava numa zona que ainda não estava seca o instrutor, com ar de preocupado avisava-me para sob nenhuma circunstância acelerar nesse piso... 
E é como digo, é um carro extremamente divertido de conduzir! 

Não sei dizer se é melhor que um Lamborghini, ou que um GTR, porque nunca conduzi nenhum, mesmo que conduzisse não iria conseguir construir na minha cabeça um Benchmark fiável, pois teria de explorar ao máximo os carros e para explorar ao máximo estes carros, não é um qualquer ser humano que consegue fazer isso. Principalmente um que anda de Mazda 2... 

E voilá, parece que afinal consegui escrever sob a minha experiência num Super Carro! Agora só me falta arranjar coragem para escrever sobre outro carro que não é super, mas é muito especial para mim.