sábado, 15 de abril de 2017


Em 2011 este blog lançou um artigo sobre as 10 dicas a ter em conta para não sermos enganados na compra de um carro usado. Passados 6 anos, a tecnologia dos automóveis evoluiu bastante e já começa a ser bastante comum o aparecimento de carros Eléctricos em segunda mão, e como tal, existem coisas novas que devemos ter atenção quando estamos a ponderar comprar um carro eléctrico em segunda mão. 

Antes de mais porquê ir para o eléctrico? Não será muito cedo? Eu penso que a resposta é que nunca é cedo de mais para poupar. Os carros eléctricos são muito económicos e têm muitas vantagens em relação aos carros a gasolina/gasóleo. Um artigo recente da revista Autohoje, mostrou que um dos seus ensaios de longa duração, o Nissan Leaf, percorreu 11.000 km gastando apenas 300€! A manutenção que o carro teve foi apenas uma aos 10.000 km e custou somente 40€ e no final das contas o carro evitou que 1913 kg de CO2 fossem libertados para a atmosfera. Ah! E para ajudar mais, os carros eléctricos neste momento não pagam IUC, o que pode significar uma poupança adicional de centenas de euros.

Isso é tudo muito bonito, mas o custo de um carro eléctrico é ainda proibitivo para o Português normal... a não ser que este opte pelo carro em segunda mão. Com modelos como o Mitsubishi IMIEV a menos de 10.000 euros e o Nissan Leaf por volta dos 12.000 ou 13.000€, são preços que já começam a ser muito acessíveis e apetecíveis. 

1. Conhecer bem as denominações
Existe pouco conhecimento do público em geral dos carros eléctricos que existem no mercado e as suas capacidades. Existe também completo desconhecimento por parte das várias denominações que os carros eléctricos e híbridos têm. Fica aqui uma ajuda.
Hybrid: Motor a combustão com motor eléctrico. Aqui existe também a denominação da Toyota do Full Hybrid, para se destacar dos Híbridos da Honda. Os híbridos da Honda têm sempre o motor de combustão ligado, enquanto que os da Toyota podem andar por um período curto de tempo exclusivamente em energia eléctrica. Modelos mais populares são os Toyota Prius, e os Honda Civic Hybrid.
Plug-In Hybrid: O motor de combustão com motor eléctrico acoplado a uma bateria de longo alcance. O modelo mais popular com este tipo de motor é o Opel Ampera, ou o Golf GTE.
Electric Vehicle (EV): Apenas possui motor eléctrico e baterias de longa alcance. Aqui os modelos mais populares são os Tesla e o Nissan Leaf.


2. Saber bem as características dos modelos
Antes de comprar um carro eléctrico, devem saber bem as suas características/capacidades. É que podem existir modelos que simplesmente não servem para o vosso dia-á-dia. Por exemplo: O Mitsubishi IMIEV pode ser um carro económico, mas a sua bateria só tem de alcance cerca de 80km e é pouco espaçoso. Para uma pessoa que trabalha a não mais de 20 km de casa, pode servir. Mas para quem, como eu, trabalha a 50 km de casa, já vou necessitar de um carro com pelo menos 120 ou 130 km de autonomia. Também é importante saber bem as características do carro que vão comprar, para poderem verificar se o estado das baterias está de acordo com o que está anunciado pela marca. 
Uma dica é visitar este site: WWW.ZEEV.PT onde tem alguns modelos de carros e de motos híbridos ou totalmente eléctricos disponíveis em Portugal, assim como as suas características.

3. Software Updates
Já sabem o que procuram e já começaram a ver os primeiros carros eléctricos ou plug-in hybrid. A primeira coisa a perguntar é se o carro tem feito os Software Updates todos na marca. Isto é importante porque estes automóveis são altamente tecnológicos e dependentes de software. São autênticos Smartphones. Ao longo do tempos os engenheiros vão lançando software updates que aperfeiçoam o funcionamento do carro e por vezes até podem dar novas características (como os modelos da Tesla). Também é uma forma de controlarem se o carro tem feito as manutenções na marca como deve ser. Mas como ver isso? Bem, se estiverem num stand oficial da marca a comprar um carro de serviço, conseguem facilmente pedir para verificar o historial de actualizações e efectuar as que faltam sem pagar nada. Se for a um stand independente, podem pedir o nº de chassis e verificar num stand oficial se o carro foi fazer as manutenções na marca e se fez todos os software updates, assim como podem verificar se existem novos updates disponíveis. 

4. Verificar os cabos de carregamento
Verifiquem as tomadas do carro e os cabos de carregamento que vieram com ele. Se tiverem muito uso, fios descarnados, etc, fujam. Isto pode provocar choques ou até incêndios. Este equipamento tem de estar impecável para vossa segurança e para não terem problemas no futuro.

5. Verificar o estado da bateria principal
Verificar a bateria principal de um eléctrico ou de um híbrido, é um "No Brainer". Aqui, mais uma vez vão ter de recorrer a um stand oficial da marca do veículo em questão para vos dar uma leitura do estado da bateria. Pedir ao stand para carregar o carro a 100% não é o suficiente para saber se o carro tem a bateria em bom estado. Este teste é super importante e não deve ser descurado pois a substituições de um pack de baterias é muito dispendioso.

6. Verificar o estado da bateria de 12V
Nos carros híbridos e plug-in híbridos o carro comporta-se de maneira a usar o menos possível o motor de combustão para poupar combustível. Apesar do carro ser híbrido a bateria de 12V ainda serve para alimentar o motor de arranque e outros aparelhos eléctricos no carro. Como é o motor de combustão que está encarregado de carregar a bateria é de esperar que esta não esteja em boa forma já que é carregada com menos regularidade. Este é um diagnóstico simples que pode ser feito em qualquer oficina que se preze. Basicamente ligam uma máquina que vos dá uma leitura de quanta carga é que a bateria consegue aguentar. Se a bateria não estiver em bom estado exijam a substituição dela, antes de adquirir a viatura em questão, pois para além de terem uma maior probabilidade de ficarem a pé, a baixa voltagem da bateria pode provocar funcionamento erróneo de alguns sistemas eléctricos do carro.


7. Verificação geral do sistema
Já que vão ligar o carro para descobrir qual é o estado da bateria principal, peçam também para fazer um diagnóstico ao carro. Podem existir erros e outros problemas que nem o vendedor esteja ciente de que existem. De lembrar que normalmente estes erros são facilmente corrigidos com um update do software... Se for uma coisa mais grave, o melhor é deixar a viatura para outra pessoa.

8. Com quantos Km devo comprar um carro eléctrico/híbrido?
Já é sabido que as baterias degradam-se consoante o seu uso e é sabido que quanto mais se degradam, menos autonomia fica disponível para usufruir. Em média, por cada 50.000 km perde-se 10% da capacidade total da bateria. Ou seja, se um carro tiver uma autonomia de 100km, daqui a 50.000 km o carro irá ficar com uma autonomia de 90km. Também é preciso ter consciência que existem 2 modos de carregamento de baterias, o normal e o rápido. O carregamento rápido, pode carregar a bateria de um carro em muito menos tempo, mas também, vai colocar a bateria sobre um stress maior e vai degradá-la mais rapidamente. Daí que os 50.000 km são um indicativo do estado da bateria, mas ainda assim devem realizar um teste de diagnóstico à bateria para não ter surpresas desagradáveis.

9. Com quantos anos é que devo comprar um carro eléctrico/híbrido?
Um carro eléctrico/híbrido quando é vendido normalmente tem uma garantia para a bateria. Esta depende de marca para marca. Por exemplo, no caso do Nissan Leaf, a garantia é de 5 anos ou 100.000 km (o que ocorrer primeiro), e se dentro desse período o carro apresentar menos de 9 barras de carregamento das 12 disponíveis, a Nissan, compromete-se a substituir as baterias por umas novas. No caso do modelo mais recente do Leaf (30kWh), a Nissan dá 8 anos de garantia um 160.000 km (o que ocorrer primeiro). Eu diria que é sempre importante ter alguma garantia de fábrica disponível quando se vai adquirir um veículo destes, por isso vejam se o carro em questão ainda tem garantia de fábrica. Se o stand que vos está a vender o carro vos der garantia, verifiquem bem se a garantia tem a bateria incluída e até que nível de prestação é que a bateria tem de ter para o stand ter de repará-la.


10. Verificar o resto.
Um carro eléctrico ou híbrido é ainda assim um carro, daí que todas as coisas que normalmente devemos ter atenção na compra de um automóvel, também se aplicam nestes veículos. Sim é certo que no caso de um veículo eléctrico, não vamos estar a ter atenção a fugas de óleo, mas tudo o resto é para verificar. Pintura, chapa, pneus, direcção, suspensão, equipamentos eléctricos, etc, etc, etc. Também é fundamental fazer um test-drive para verificar se a viatura está em bom estado ou não. Podem ver aqui mais algumas dicas para comprar carro usado.  









sábado, 8 de abril de 2017

On 16:45 by Luís Santos in , , , , , , , , , ,    No comments
A vida é demasiado curta para conduzir carros aborrecidos, e como tal, houve um momento na minha vida que disse a mim próprio que havia de comprar um carro desportivo que fosse muito divertido de conduzir. 

Durante anos pesquisei de forma compulsiva por anúncios nos sites de classificados, li imensos artigos, vi muitos canais youtube e programas de televisão de forma quase obsessiva. E depois quando vi que já tinha capacidade financeira para adquirir o desportivo, procurei ainda mais afincadamente durante 2 anos. E durante esses 2 anos, conduzi uma data de carros e decidi fazer aqui uma lista dos carros mais divertidos que conduzi. Porque o que realmente interessa é que o carro nos dê gozo de conduzir e que nos faça sorrir enquanto estamos ao volante. 

1. Toyota MR2 (3ªGen)


O Toyota MR2 de terceira geração é visto por muitos como um passo atrás que a Toyota deu em relação à 2ª Geração que foi e ainda continua a ser aclamada por muitos, mas a terceira geração do Toyota MR2 é na verdade uma pérola do mundo automóvel. A sua leveza (960kg), e o facto de ter o motor mesmo atrás das costas, faz com que seja um verdadeiro mimo de se conduzir. O motor 1.8 de 143 cavalos responde bastante bem e gosta de trepar pelas rotações acima. E claro, o facto de ser um carro com tracção traseira significa que é possível fazer umas atravesadelas sem grande dificuldade. Para além disto tudo ainda acresce o facto do motor ser bastante económico em andamento normal e de ser um carro extremamente fiável (desde que comprem a versão com caixa manual de 6 velocidades, pois a caixa automática sequencial era um autêntico pesadelo). 

2. Audi TT Quattro (1ªGen)


O Audi TT Quattro é um carro que nos dá diversão por razões completamente diferentes das do carro de cima. Eu gostei particularmente da sensação de segurança que o carro dá quando entrei nele e o cockpit é lindo. Os 225 cavalos de potência são extremamente agradáveis de se utilizarem já que quando o Turbo entra em acção, o carro dispara mesmo. O sistema Quattro também vai permitir fazer curvas com mais velocidade e mais segurança e isso é o que torna este carro engraçado de se conduzir, pois fazer uma curva a velocidades estonteantes dá sempre um gozo do caraças. No final de o conduzir, não podia estar mais do que impressionado com a sua performance e sensação de segurança, também é verdade que o carro é muito bonito tanto por dentro como por fora. 

3. Fiat Barchetta 


Este carro surpreendeu-me tanto, mas tanto, que só não o comprei imediatamente porque o carro que estava a ser vendido tinha um problema no ABS (não funcionava). Ora este carro surpreendeu-me, porque o motor apesar de ser só um 1800, cantava de alto e bom som, apesar de ter só 130 cv, era rápido (pesava só 1060kg) e o facto de ser tracção dianteira não significava que fosse chato de conduzir, aliás com algum conhecimento e kit de unhas, conseguia-se soltar a traseira do carro e fazer um bom slide. Na altura também era um grande negócio pois com cerca de 4000€ já se comprava um carro destes. Não sei que pós é que a Fiat colocou neste Barchetta, não sei se os plásticos do carro tinham alguma substância psicotrópica, mas a verdade é que tudo naquele carro me fazia sorrir.

4. Abarth 500C (Escape Record Monza)


Se uma coisa que os italianos sabem fazer são pequenos desportivos e o Abarth 500 é sem dúvida um dos desportivos mais porreiros e divertidos que eu alguma fez conduzi. Mais uma vez a leveza e as suas proporções pequenas de chassis, fazem com que seja um carro extremamente ágil em curva e bastante rápido em aceleração. A versão que testei era o modelo base, mas mesmo com um motor 1.4 turbo de 135 cavalos, este carro andava "pra caraças". E depois o escape Record Monza era um verdadeiro festim para os meus ouvidos. Caixa de velocidades precisa e rápida, direcção bastante directa... Enfim, tudo o que um carro desportivo deve ter empacotado num carrinho tão pequeno só pode dar bom resultado!

5. Mazda MX-5 (3ª Gen)


Qualquer lista com carros divertidos de conduzir não está completa sem o Mazda MX-5, o roadster lendário da Mazda que nos dias de hoje continua a fazer as delícias dos entusiastas de automóveis um pouco por todo o mundo. Já conduzi todas as gerações de MX-5 (excepto a quarta geração) e posso dizer que são todos carros muito divertidos de se conduzir. A que eu vou falar aqui é o modelo 2.0 da terceira geração com 160 cavalos. Meus amigos, isto é o nirvana da condução. O motor 160 cavalos é mais do que suficiente para ter grande quantidade de diversão e já permite atingir velocidades em tempos tão curtos que se não tiver cuidado ainda fico sem carta. O motor responde bem, a suspensão bilstein é um mimo, a caixa de velocidades é espectacular e a direcção é super directa. O som é incrível... O barulho da indução com o aumentar das rotações e ouvir este motor a cantar às 7000 rpm é épico. Não pensem que este carro é fofinho e inofensivo... Isto aqui já é uma arma e se não souberem o que andam a fazer. Mas é como eu digo, seja o 2.0, ou o 1.8, ou o NA ou o NB, ou até mesmo o NC 1.5 ou 2.0, se estiverem à procura de um desportivo, o Mazda MX5 tem de estar sempre na vossa lista de candidatos. 

Aqui têm! Se por acaso andam à procura de um desportivo económico para satisfazer as vossas necessidades automobilísticas mais desportivas, estes 5 carros vão com certeza, encher-vos as medidas e não vos vão deixar desapontados. A mim não deixou, e apesar de ter escolhido um carro desta lista (conseguem adivinhar qual é?), os outros que deixem no stand, eram também muito bons, e tenho a certeza que se tivesse ido para qualquer um dos outros, também não me ia arrepender. Espero que esta lista vos ajude. Até outro dia! 

segunda-feira, 13 de março de 2017


Portugal pode ser um país pequeno, mas ainda assim, existem muitos entusiastas de automóveis com os bolsos bem recheados de dinheiro.

Hoje apareceu no Standvirtual um carro raríssimo da Jaguar. Trata-se de um F-Type Project 7. Para quem não sabe, foi uma edição limitada a 250 unidades que leva o conceito do F-Type ao extremo. Com o motor de 5000 cm3 a debitar 576 cv de potência consegue atingir os 100 km/h em apenas 3,8 segundos. Não é apenas um Jaguar raro, este é também o Jaguar mais rápido de sempre. 


O F-Type Project 7 foi feito em homenagem Às 7 vitórias nas 24 horas de Le Mans que a Jaguar conseguiu obter com o D-Type. Aliás, tal como o D-type, todo o chassis do F-Type Project 7 é totalmente em alumínio, o que faz com que perdesse 80 quilos em relação ao modelo de produção normal com motor similar. 


Sabe-se que 50 destes F-Type Project 7 foram para o USA, daí que apesar do preço avultado, investir neste carro é ideia melhor do que depositar o dinheiro no banco. É um clássico instantâneo e o seu valor só tem tendência a subir. 

Por enquanto, podem ver o anúncio aqui no Standvirtual. Para além disso, também podem ver 2 carros muito especiais que já estiveram à venda nos classificados portugueses. Falo do Maserati de David Coulthard e do Aston Martin encomendado pela família real do Brunei.






segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Os japoneses nos finais dos anos 80 e inícios dos anos 90 deram ao mundo os mais espectaculares e inovadores carros desportivos. Nessa época, a economia japonesa estava em altas e as marcas de automóveis, que até há pouco tempo restringiam-se a vender carros utilitários para todo o mundo, viram-se com dinheiro para investir e quiseram subir a fasquia para os mercados premium. O resultado foi carros como o Honda NSX, ou o Nissan 300ZX, Toyota Supra, Mitsubishi 3000 GT, a criação da Lexus e muito mais... 
Na altura, também a Subaru estava a querer dar nas vistas, depois de todos os seus concorrentes terem feito carros que espantaram o mundo, a Subaru necessitava de um "Halo Car" para que as pessoas falassem da marca e visitassem os seus stands. Foi então que a Subaru avançou com o SVX, um sonho que os engenheiros da Subaru quiseram tornar realidade.


SVX quer dizer Subaru Vehicle X. Foi um carro que em termos de design foi desenvolvido em cooperação com Giorgetto Giugiaro. Não existe nenhum carro como este. Na altura era um carro extremamente futurista com um cockpit inovador que dava ao condutor uma vista da estrada e do seu redor bastante ampla. As janelas do carro não acabavam na extremidade da porta como é convencional, mas sim a meio da janela... O resultado era estranho, mas tinha uma vantagem bastante grande quando o condutor as abria com o carro em andamento, assim o vento entrava no carro de uma forma mais suave e logo mais agradável. Aliás um das grandes premissas deste carro era o conforto sem sacrificar a performance. Sim, a marca que é conhecida pelos seus carros à prova de bala que dominaram os troços de rally nos anos 90, criou um carro tão confortável, que até punha metade do cinto de segurança quando entravam dentro do carro!

Voltando ao Cockpit, desenvolvê-lo, foi um pequeno pesadelo para a Subaru. A forma arredondada dos vidros e a quase ausência de um pilar B trouxeram vários problemas para a rigidez do chassis e para a produção do vidro para os pára-brisas. Mas a Subaru não olhou a despesas e determinou que este cockpit era uma forma de destacar o SVX da concorrência. Uma das dificuldades era a grossura do vidro que distorcia a visão da estrada o que trazia graves problemas a nível de segurança. Também como este carro tinha uma maior superfície de vidro em relação aos outros, a Subaru teve de arranjar um vidro que não fizessem efeito de estufa em dias de sol. Mas eles conseguiram e mesmo nos standards de hoje este cockpit foi um feito de engenharia incrível e até hoje continua a ser um design original.


Os engenheiros da Subaru requisitaram para este SVX o maior motor que tinham disponível na altura. Um motor boxer 6 cilindros 3.3 litros, capaz de produzir 230 cv de potência e 310 N.m de binário. Como era de esperar, era um carro com AWD, com sistema Variable Torque Distribution. O que isto quer dizer é que sempre que uma roda perdesse tracção o binário era transferido para as outras, isto aliado com diferecial autoblocante e um sistema ABS de 4 vias (ou seja um sensor por roda), fazia com que este carro tivesse um comportamento em estrada fenomenal seja em que condições que a estrada tivesse. Arranques com chuva? Destruía completamente qualquer outro carro. Curvas? Era um automóvel extremamente neutro, nem subviragem, nem sobreviragem, um automóvel em que o condutor podia entrar em qualquer curva a uma velocidade elevada sem problemas. Aliás podem ver nestes dois vídeos o quão incrível era este automóvel a nível técnico. 



Por esta altura podem estar a pensar. Bem este carro era tão espectacular, porque é que nunca ouvi falar dele? Bem, o SVX tinha um calcanhar de aquiles e essa foi ter como única opção uma caixa automática de 4 velocidades. Era uma caixa pouco fiável, pois foi uma caixa que tinha sido desenvolvida para motores com 88 cv de potência. Digamos que quando colocaram a caixa de velocidades num motor com mais de 200 cv, obviamente que só podia dar asneira. Mas a decisão para colocar uma caixa automática foi perfeita para a filosofia deste carro. Os engenheiros da Subaru não queriam fazer o melhor carro desportivo, na altura, era o que todas as outras marcas estavam a tentar fazer, o que a Subaru se propôs a fazer foi o melhor Grand Tourer que o mundo alguma vez viu. 

Nobumasa Saeki (Director Geral da Subaru) quis desenvolver um carro que fosse confortável e que envolvesse o condutor na experiência de conduzir. Aliás, foi por causa do querer envolver a pessoa na condução que a Subaru teve tanto trabalho em colocar o mais vidro possível no cockpit do carro. O sistema AWD fazia com que a pessoa que conduzisse este carro pudesse ir do ponto A ao ponto B sob qualquer circunstância temporal, sem dramas e sem preocupações. Aliás, o carro era tão bom em grandes viagens que o slogan que a Subaru escolheu para o carro foi "500 miles a day".


Infelizmente, as pessoas não se interessaram muito pelo SVX. Preço era demasiado alto e quando foi lançado o Impreza, o SVX acabou por cair no esquecimento. Os poucos modelos que existem neste momento, têm um valor comercial bastante baixo, apesar da sua raridade, mas é possível que daqui a uns anos, o valor do carro suba exponencialmente, pois é sem dúvida um carro único. 

Se por acaso virem um à venda e pensarem em não o trazer por causa do problema da caixa de velocidades, existem várias maneiras de colocar outras caixas de velocidades mais robustas ou até mesmo colocar uma caixa manual. Já todos sabemos que os engenheiros da Subaru adoram fazer carros que tenham a maioria dos componentes compatíveis com outros modelos, o SVX não é excepção. Se por outro lado quiserem manter o carro original, tenham cuidado com arranques e acelerações bruscas. Também é de referir que apesar de ter uma caixa automática, existe um modo manual, onde o condutor pode escolher a velocidade que vai, o que é um bom extra e mais uma característica única deste SVX.

Podem aprender mais sobre este carro vendo série de vídeos que a Subaru fez para quem comprava o SVX (Uma espécie de manual do carro em vídeo). Também podem ver a review do carro no Motorweek ou a sempre interessante review do Mr. Regular, do Regular Car Reviews.
Para além disso também podem ler este artigo do blog Japonese Nostalgic Car. É um artigo bastante interessante que penso que faz uma boa cobertura deste carro e dos seus criadores.

O Subaru SVX foi um sonho que os engenheiros da Subaru perseguiram de forma determinada. Foi um carro difícil de desenvolver, foi um carro onde a Subaru perdia 3000 dólares por cada SVX que era vendido e mesmo assim, apesar dos contras todos, foi um carro que foi tornado realidade. Foi pena que o sonho da Subaru não estivesse em sintonia com aquilo que os clientes sonhavam, que na altura era ter um carro Japonês de alta performance mas a um preço bastante reduzido face à concorrência Alemã e Americana. É um carro que fica para a história e é um carro com um potencial de valorização bastante elevado. Por isso se virem um, agarrem-se a ele!






quinta-feira, 22 de dezembro de 2016



Noutro dia, no café, oiço um grupo de pessoas em amena cavaqueira sobre combustíveis e a conversa resvalou para os consumos dos carros e todas as trafulhices e até mitos de como eram feitos os testes e de como os testes eram uma farsa. Antes de também irem buscar as vossas foices e ancinhos, vamos analisar estes testes e vamos ver se realmente são datados, se são trafulhice, e se é possível realmente fazer os consumos que as marcas anunciam. 

Mas como funcionam os testes?

Na Europa a norma pela qual se fazem os testes de emissões e consumo é a NEDC (New European Driving Cycle), apesar do nome referir, "new", é um teste que remonta dos anos 70 e a última vez que foi alterado foi em 1997. Uma das principais críticas a este ciclo de testes que simula a típica utilização de um veículo em cidades europeias é que já é muito datado, tem alguns pressupostos que dificilmente as pessoas vão abdicar e para além disso é um ciclo que não reflecte em nada a típica condução de uma pessoa.

Quando um automóvel é sujeito ao teste NEDC o veículo deve ser testado numa superfície plana sem vento, no entanto, como é difícil arranjar essas condições, os carros são testados em bancos de ensaio. Os bancos de ensaio estão equipados com um aparelho que simula a inércia do carro (peso do carro) e o coeficiente aerodinâmico para simular a resistência ao ar. Algumas pessoas pensam que a única coisa que as marcas fazem é colocar gasolina num motor e colocam esse motor a fazer o teste de consumo, mas isso é um mito. O carro tem de estar lá todo a rolar em cima dos rolos do banco de ensaio, daí as diferenças de consumos do mesmo motor, em carroçarias diferentes.
Para além disso, o carro tem de estar frio. (temperaturas ambientes entre os 20-30º) e tem de ser testado com todos os aparelhos eléctricos desligados, assim como o ar condicionado.



Existem dois testes o Urban Driving Cycle (UDC) criado em 1970 e o Extra Urban Driving Cycle (introduzido em 1990).

O (UDC), é caracterizado por baixos andamentos, baixas temperaturas de gases de escape e velocidades máximas até aos 50 Km/h. Eis como é feito o teste UDC:
O carro deve ligar o motor a frio e estar inerte por 11 segundos. Depois o carro deve acelerar até aos 15km/h em 4 segundos e manter essa velocidade por 8 segundos, de seguida tem 5 segundos para travar o carro completamente e estar parado durante 21 segundos. Depois desta paragem, o carro deve voltar a acelerar até aos 32Km/h em 12 segundos e passar para 2ª mudança, deve manter a velocidade durante 24 segundos e depois deve desacelerar o carro até parar completamente em 11 segundos, e deve ficar novamente 21 segundos parado. O carro volta a acelerar desta vez até aos 50Km/h em 26 segundos passando de 1ª para 2ª e depois 3ª, com intervalos de 2 segundos entre as passagens de caixa, deve manter a velocidade durante 12 segundos, e de seguida deve desacelerar o carro para os 35km/h em 8 segundos, manter a velocidade por mais 13 segundos e parar completamente em 12 segundos e deve ficar inerte por 7 segundos. O ciclo deve acaba em 117 segundos com uma distância percorrida de cerca de 994 metros. Este ciclo é repetido mais 4 vezes o que já coloca a distância percorrida nos 3976 metros, numa duração total de 13 minutos e uma média de velocidades de 18,35 km/h.

O EUDC representa uma condução a velocidades mais elevadas. Este ciclo começa com uma paragem de 20 segundos e de seguida o carro deve acelerar suavemente até aos 70km/h em 41 segundos (deve usar a 4ª velocidade) e deve manter-se nos 70km/h durante 50 segundos ao mesmo tempo que coloca a 5ª velocidade), depois deve desacelerar até aos 50km/h em 8 segundos e manter a velocidade por 69 segundos. Depois deve acelerar para os 70km/h em 13 segundos. 
De seguida o carro deverá manter a velocidade dos 70 km/h por 50 segundos em 5ª e depois deve acelerar até aos 100 km/h em 35 segundos, manter a velocidade por 30 segundos em 5ª ou 6ª. Finalmente o carro deve acelerar até aos 120 km/h em 20 segundos, manter a velocidade durante 10 segundos e depois deve travar até parar em 34 segundos. Depois deve estar parado durante 20 segundos.
A duração total deste teste é de 6 minutos e 40 segundos e tem uma distância de 6956 metros com uma velocidade média de 62,6 km/h.

No total destes testes, depois é calculada o consumo combinado entre o UDC e o EUDC e é daqui que vem os 3 números que nos dão o consumo do carro. 

Como podem ver estes testes são datados, têm muitas paragens e acelerações bastante suaves e para além disso são permitidas algumas batotas para melhorar o consumo, como por exemplo, colocar mais ar nos pneus do que o recomendado, é permitido que os testes sejam efectuados com um deficit de velocidade de 2km/h e no final disto tudo as marcas ainda podem reduzir os resultados do final de um ciclo em 4%, pois é a margem definida para erro. Para além disso é um teste tão peculiar, que facilmente os fabricantes de automóveis podem colocar código no software do carro para detectar quando está a ser testado e entrar em modo de poupança (Veja-se o caso Dieselgate do Grupo Volkswagen). Por outro lado é um teste que é justo para todos os veículos e apesar do tempo, muitas das novas tecnologias apresentadas hoje, que melhoram os consumos, são reflectidas no teste. Por exemplo, neste teste, um carro com Start&Stop vai ter uma vantagem em relação ao que não tem essa tecnologia. Os híbridos com modo eléctrico também vão conseguir obter boas médias nestes ciclos, já que durante a maioria dos percurso não gastam combustível. Mas ainda assim é um teste que não explora totalmente a utilização do veículo na vida real, existem muitas situações que não são espelhadas nos testes e daí à maioria das pessoas não conseguir obter os consumos anunciados pelas marcas. Não é culpa das marcas (embora devam existir lobbys por todo o lado para manter as coisas como estão), é assim o sistema, é assim as regras e assim os consumidores conseguem facilmente ver qual é o veículo mais económico com este teste.

Felizmente, está a ser preparada uma nova norma que vai mudar radicalmente a forma como os carros são testados para obter os consumos e as emissões. Espera-se que com esta nova norma se obtenham testes mais aproximados da realidade e como consequência, deverá dar aos consumidores valores de emissões mais exactos. Um dos grandes entraves no entanto é que assim que este novo teste for lançado, os veículos que antes anunciavam 4 litros aos 100 km, vão passar a gastar 5 ou 6 litros aos 100 km, e as marcas não gostam disso. É como se os seus carros de repente passassem a ter pior performance. Um dia vai acontecer, mas até lá vamos ter de nos aguentar com este sistema.

Agora que já sabem como funcionam os testes vão aqui algumas dicas para atingir os valores anunciados, sim, os testes são datados e são feitos de uma forma bastante fora daquilo que o condutor normal faz no dia a dia, mas ainda assim, é possível adaptar a nossa condução para obter melhores consumos. Já me passaram pelas mãos vários carros e com algum conhecimento dos percursos e do carro é possível fazer tão bom ou melhor do que as marcas anunciam. De notar no entanto que nem todos os percursos dão para obter consumos anunciados pelas marcas, e de notar os elementos externos que não são contemplados nos testes, como por exemplo as condições meteorológicas. É claro que num percurso de montanha o vosso carro não vai fazer o consumos anunciado (a não ser que tenham tantas subidas quanto descidas) e é claro que num dia chuvoso e de muito vento os consumos também vão aumentar.  

1. Aumentar a pressão dos pneus um pouco
Se as marcas o fazem nos testes, nós também podemos fazer. Ter mais 0,2 bar do que está anunciado pela marca na pressão de um pneu ajuda o consumo e não tem um grande impacto na aderência do carro. 

2. Não usar ar condicionado, nem rádio, nem nada eléctrico
O não usar ar condicionado é óbvio, é um luxo pelo qual às vezes não podemos viver, mas a verdade é que nos testes, estes componentes vão todos desligados, logo existe vantagem em fazê-lo. Se ir com o ar condicionado é tolerável às vezes, ir sem rádio pode ser bem mais complicado, mas a utilização de componentes eléctricos faz descarregar a bateria o que faz com que o alternador tenha de ser accionado para carregar a bateria o que faz com que haja mais atrito e logo mais consumo. (Eu por acaso habituei-me a conduzir sem ouvir rádio, mas sei que para muita gente um carro sem rádio é o mesmo que um carro sem rodas...)

3. Não andar com os vidros abertos
Andar com os vidros abertos, aumenta o coeficiente aerodinâmico o que faz com que aumente o consumo. No caso dos descapotáveis, andar com a capota aberta, aumenta também o consumo.

4. Manter o peso baixo
Os testes são realizados com um condutor sozinho. Não esperem obter os mesmos consumos que nos testes quando viajam com o carro completamente ocupado por outras pessoas e cheio de tralha. 20kg foi quanto a VW conseguiu reduzir em peso do Golf 6 para o Golf 7 e consequentemente conseguiu reduzir o consumo do carro com basicamente o mesmo motor. A única maneira de obterem o consumo que está no papel é de andarem com o carro o mais leve possível.

5. Pensar à frente
Numa conversa sobre consumos com pessoas com os mesmos carros é normal existir uma que consegue fazer menos 2 ou 3 L/100km do que outra. Uma dessas pessoas tem uma condução muito mais suave. Lembrem-se que nos testes UDC e EUDC as acelerações e as travagens são feitas de forma muito progressiva e suave. Não é que seja uma táctica que se pode usar todos os dias e em todas as situações, mas acreditem que assim que começarem a usar o acelerador e o travão de forma doseada os vossos consumos vão baixar dramaticamente. Para pensar à frente devem estar muito atentos ao percurso que vão fazer e ao que está em vosso redor.

6. Conhecer o percurso
Provavelmente, os melhores consumos que fizeram no vosso carro, foi a fazer o vosso caminho para o trabalho. A repetição do caminho, faz com que o conheçam de trás para a frente e assim conseguem usar em pleno a dica anterior. Existem coisas que podemos planear se já soubermos o que vai acontecer. Por exemplo, se estou numa descida e sei que a seguir vem uma subida devo acelerar para tomar balanço. Se sei que existe um semáforo de velocidade, devo manter a minha velocidade de modo a não disparar o semáforo. Se sei que a curva X pode ser feita no máximo a 50 km/h, não vale a pena estar a acelerar para depois travar e desperdiçar combustível, na saída da curva... Tal como nos testes que está tudo premeditado e calculado, a única maneira de conseguirem bons consumos é saberem tim-tim por tim-tim o vosso caminho e usá-lo em vosso proveito para poupar.

7. Conhecer o carro
Não esperem que quando acabam de sair com um carro do stand que consigam obter grandes consumos. Só passado algum tempo de habituação é que conseguem realmente saber quando devem fazer as passagens de caixa e que força devem aplicar o acelerador, etc. No caso de pessoas que passam de um carro normal para um híbrido como o Toyota Prius, por exemplo, a habituação vai demorar ainda mais tempo.

8. Manutenção em dia e bem feita
Ter o vosso carro em plena forma é fundamental para obter os consumos que a marca anuncia. Esqueça o usar o óleo de batatas fritas, esqueçam o levarem o vosso carro ao zé das chaves e esqueçam o adiar substituição de seja aquilo que for. O vosso carro se for bem tratado e seguir à risca o que é recomendado pela marca é a única forma de obter uma boa performance e consequentemente um bom consumo.


Da minha experiência com carros que conduzi durante algumas semanas, usando estas técnicas e principalmente no percurso que faço para o meu emprego consigo obter consumos melhores ou iguais aos anunciados pela marca. Num percurso de 50 km de Alcobaça a Leiria indo pela estrada nacional e respeitando os limites de velocidade, num Nissan Pulsar 1.5 DCI consegui obter uma média recorde de 3 L/100km. O consumo misto anunciado desse carro é de 3,6 L/100km. Num Smart Forfour 1.0 de 71 cv consegui fazer 4,1 L/100km e o anunciado é de 4,2 L/100km. Não quer com isto dizer que não existem carros que realmente tenham números de consumos optimistas de mais, mas a verdade é que com alguns cuidados e condução ecológica é realmente possível chegar perto, ou até mesmo ultrapassar o que foi obtido em testes altamente controlados e datados.