sábado, 6 de maio de 2017

No início dos anos 90 o mundo viu nascer um novo nicho de mercado automóvel, os chamados "Econo Sports Cars", que tinham como principal objectivo serem económicos e de baixo custo de manutenção. Era uma época muito interessante, pois se uma pessoa quisesse um carro desportivo mas tivesse um orçamento apertado, podia concretizar o sonho sem grande stress financeiro. A receita era simples, pegava-se num chassis de um carro modesto, mudavam-se todos os painéis e interiores, adoptando um formato coupé, ou targa e depois colocava-se à venda. O resultado foi o nascimento de vários modelos de carros que transmitiam sensações fortes graças ao baixo peso e a bons setups de suspensão e direcção. Os motores pequenos ajudavam na parte da economia de combustível e na fiabilidade. No final ficava-se com um carro diferente dos outros, mais divertido de conduzir e sem nos levar à falência.

Hoje em dia existem poucos carros destes. Ainda houve uma tentativa de reavivar o mercado com a introdução do Honda CR-Z (chassis baseado no Jazz/Insight) e do Hyundai Veloster (chassis baseado no Elantra), mas ambos falharam terrivelmente nas vendas e já nem a Honda, nem a Hyundai têm estes modelos disponíveis. Talvez o único carro ainda no activo que cai na categoria de desportivo low-cost é o VW Scirocco que é baseado na plataforma de chassis PQ35 (a mesma utilizada no Golf V), mas com os preços a começar nos 29.760€ este não é propriamente um carro barato...

Esta lista de carros são alguns exemplos de desportivos económicos que existiam nos anos 90 e inícios dos anos 2000. São carros que apesar das suas modestas origens, mostram que não é preciso ter um grande motor para ter emoções fortes atrás do volante.

1. Mazda MX3

Um mini V6 por "peanuts"

Abro as hostilidades já com o Mazda MX3. Este pequeno Mazda era um carro desportivo no verdadeiro sentido da palavra. Tendo como base o chassis do Mazda 323, o MX3 tinha duas versões a gasolina. Uma com um motor 1.6 com 110cv e outra com o mais pequeno motor V6 do mundo com apenas 1.8 de cilindrada. Ambos eram carros muito agradáveis de conduzir se bem que o 1.6 podia ser um pouco lento. A versão topo de gama com o famoso motor 1.8 V6 com 24V era rápido e tinha uma sonoridade cativante. Era também um motor que gostava de subir nas rotações. O MX3 era o carro ideal para estradas secundárias cheio de curvas. O comportamento em estrada excelente, aliado com uma aceleração e binário muito superior ao modelo 1.6, fazia deste o "driver's car" ideal para quem se estava a iniciar no mundo dos desportivos. Também tenho de confessar que o design do MX3 é capaz de ser dos carros mais bonitos desta lista.

Especificações técnicas

MX3 1.6, 4 cilindros em linha, 16V, 105 cv, 137 N.m de binário, 1060 kg
MX3 1.8, 6 cilindros em V, 24V, 133 cv, 160 N.m de binário, 1125 kg

Prestações 

MX3 1.6: 0-100km/h em 10,5 segundos | Velocidade máxima 180 Km/h | Consumo combinado 8,1 L/100km
MX3 1.8: 0-100km/h em 8,5 segundos | Velocidade máxima 202 km/h | Consumo combinado 8,8 L/100km

Preços

Os Mazda MX3 neste momento podem ser comprados entre 1000€/3000€ no mercado segunda-mão. O mais apetecível e com maior potencial de valorização é o modelo 1.8 devido ao seu pequeno motor V6 que é único no mundo e devido às suas prestações já bastante interessantes em termos de performance e sonoridade.

2. Nissan 100NX

Cabelos ao vento sem gastar o coiro e o cabelo!

O Nissan 100NX é um carro bastante controverso no departamento do design. Ao contrário do MX3, não é um carro muito agradável à vista, mas apesar disso, este Nissan tem a configuração Targa o que é um bónus para quem quer andar com os cabelos ao vento pelo mínimo valor possível. Havia dois motores disponíveis. O 1.6 e o 2.0. O 1.6 teve várias evoluções ao longo da vida deste NX100 e na sua versão final produzia cerca de 105 cv. Este carro não era particularmente um exemplo de handling e diversão ao volante, o seu chassis era de um Nissan Sunny e a suspensão tinha muito rolamento em curva. Isto aliado ao fraco motor 1.6 não o tornava muito excitante de conduzir. Por outro lado o 100NX vinha bem equipado e tinha um motor com corrente o que em termos de fiabilidade e manutenção lhe dá uma vantagem. A versão 2.0 já era mais excitante, com os seus 143 cv conseguia acelerar dos 0-100 em 8,2 segundos. 


Especificações técnicas

Motor 1.6, 4 cilindros em linha, 16V, 105 cv, 137 N.m de binário, 1060 kg
Motor 2.0, 4 cilindros em linha, 16V, 143 cv, 178 N.m de binário, 1146 kg

Prestações 

100NX 1.6: 0-100km/h em 10,4 segundos | Velocidade máxima 190 Km/h | Consumo combinado 6,9 L/100km
100NX 2.0: 0-100km/h em 8,2 segundos | Velocidade máxima 212 km/h | Consumo combinado 8,6 L/100km

Preços

Os Nissan 100NX são possivelmente os desportivos descapotáveis mais baratos que existem neste momento no mercado em segunda mão. O modelo 1.6 é muito comum e não vão ter problemas em encontrá-lo por 1000€/2000€.

3. Honda CRX Del Sol

VTEC kicked in Yo!

A Honda poderá ter sido a principal culpada para toda esta febre dos "Econo Sports Cars" ter começado. O culpado é o Honda CRX. Um carro que foi desenhado para ser o mais leve, mais económico e aerodinâmico possível. Como efeito secundário o CRX também se tornou num dos carros mais divertidos de se conduzir, atingindo um estatuto de lenda nos dias de hoje. 
O Honda CRX Del Sol foi a última evolução do CRX, mais desportiva e descapotável. Tinha também como base o chassis do modesto Civic. Existiam duas versões ambas com um motor 1.6. A ESi tinha 125cv de potência e a VTi, 160 cv. Este carro é muito amado pelos fãs por uma série de razões. A posição baixa de condução e a direcção rápida e directa fazem com que pareça um autêntico Kart. O som do motor quando o VTEC entra em acção é qualquer coisa de fenomenal, e o facto do redline estar situado às 8.000 RPM e extender-se até às 10.000 RPM torna-o num motor tão rotativo que é capaz de gerar o seu próprio campo gravítico.
Apesar disso, abaixo das 5.500 rpm, é um carro bastante civilizado e a fiabilidade lendária da Honda fazem com que seja um carro bastante fácil de manter.


Especificações técnicas

ESi: Motor 1.6, 4 cilindros em linha, 16V, 125 cv, 142 N.m de binário, 1000 kg
VTi: Motor 1.6, 4 cilindros em linha, 16V, 160 cv, 160 N.m de binário, 1110 kg

Prestações

ESi: 0-100km/h em 8,7 segundos | Velocidade máxima 182 Km/h | Consumo combinado 7,5 L/100km
VTi: 0-100km/h em 8,2 segundos | Velocidade máxima 210 km/h | Consumo combinado 7,7 L/100km

Preços

Se forem para o modelo ESi, os preços no mercado de segunda mão estão à volta dos 3000€, no entanto se estiverem mais interessados na versão VTi, aí os preços já disparam para os 6000€.

4. Opel Tigra

O pequeno tigre da Opel!

Em 1993 a Opel apresentou um protótipo que causou muito furor no Frankfurt Motorshow. Passado apenas 1 ano o Opel Tigra apareceu nos showrooms. O carro tinha o mesmo chassis do Corsa, mas tudo o resto era diferente, desde os painéis exteriores, até ao interior do carro. Era tudo mais bonito, com mais qualidade que o Corsa. No entanto tinha um problema, é que usava os mesmos motores do Corsa e o Tigra pesava mais 150 kg o que afectou um pouco as performances em termos de aceleração. Apesar do aumento de peso, isto era longe de ser um carro pesado, pois tanto o modelo 1.4 como o 1.6 pesavam por volta de 1000 kg. Também curiosamente, a Lotus meteu o seu cunho no setup de suspensão deste pequeno Opel, o que o torna um carro bastante divertido de conduzir em estradas cheias de curvas. É a prova que não é preciso ter um motor com 200 cv para divertir-nos. 


Especificações técnicas

1.4: Motor 1.4, 4 cilindros em linha, 16V, 90 cv, 125 N.m de binário, 980 kg
1.6: Motor 1.6, 4 cilindros em linha, 16V, 106 cv, 148 N.m de binário, 1086 kg

Prestações 

1.4: 0-100km/h em 11 segundos | Velocidade máxima 190 Km/h | Consumo combinado 7,5 L/100km
1.6: 0-100km/h em 10 segundos | Velocidade máxima 203 km/h | Consumo combinado 7,1 L/100km

Preços

O Opel Tigra é um carro que se consegue encontrar entre os 850€ e os 2500€ em segunda mão. Na verdade é um carro que desvalorizou imenso, e agora o seu valor só pode subir.


5. Ford Puma

Este Puma tem as garras bem afiadas!

Apesar de ser um carro baseado no Fiesta, este Puma era realmente um carro a ter em consideração, pois foi um modelo usado em Rally e em outros programas de desporto automóvel. Existiam muitas versões deste carro sendo a mais interessante o Ford Racing Puma que era um uma edição limitada com muitas tecnologias dos programas de rally aplicadas nesta versão especial e limitada. No entanto, as versões mais modestas deste Puma, não eram nada más, muito pelo contrário. As versões mais populares eram os Puma equipados com motor 1.4 e o espectacular 1.7 VCT. O motor 1.7 VCT tinha as cabeças de cilindros trabalhadas pela Yamaha. Era um motor muito rotativo, refinado e conseguia performances bastante interessantes. É um carro extremamente agradável de conduzir e ganhou vários prémios como por exemplo o TopGear Car of the Year 1997, por dar "uma incrível sensação de condução" e 3 prémios da revista What Car, de melhor escolha em segunda mão para carro desportivo.

Especificações técnicas

1.4: Motor 1.4, 4 cilindros em linha, 16V, 90 cv, 125 N.m de binário, 1035 kg 
1.7: Motor 1.7, 4 cilindros em linha, 16V, 125 cv, 157 N.m de binário, 1040 kg

Prestações 

1.4: 0-100km/h em 11,9 segundos | Velocidade máxima 180 Km/h | Consumo combinado 7,7 L/100km
1.7: 0-100km/h em 9,2 segundos | Velocidade máxima 203 km/h | Consumo combinado 7,5 L/100km

Preços

Este carro ainda não foi descoberto daí que os preços dele são muito acessíveis. Com 1500/2000€ é possível comprar um Ford Puma com motor 1.4 ou 1.7, no entanto, devem sempre procurar a versão 1.7, pois é de longe a melhor.

6. Toyota Paseo


¿Vamos a dar un paseo?

A interpretação de desportivo Low-Cost por parte da Toyota não foi muito bem sucedida. Tendo como base o chassis do Toyota Tercel, até se pode dizer que o design era apelativo, mas no motor não havia nada de interessante. A Toyota só colocou à disposição do Paseo o motor 1.5 de 100 cv que passou para os 90 cv depois da União Europeia ter apertado com as restrições ambientais. Em termos de condução cumpre. A nível de equipamento e de conforto era muito bom. e a sua fiabilidade era à prova de bala. Também é de referir que os consumos deste Paseo eram excelentes. É um carro muito bom para quem está a pensar usá-lo todos os dias para ir e vir para o trabalho. Também é de notar que fruto do seu insucesso, se conseguirem encontrar um carro destes à venda, vão ter uma coisa que mais ninguém tem e a exclusividade também é um ponto extra para muitas pessoas.


Especificações técnicas

1.5: Motor 1.4, 4 cilindros em linha, 16V, 90 cv, 130 N.m de binário, 995 kg

Prestações 

1.5: 0-100km/h em 10,9 segundos | Velocidade máxima 185 Km/h | Consumo combinado 6,6 L/100km

Preços

Devido a ser um carro extremamente difícil de encontrar (neste momento só existe 1 no Standvirtual e OLX) é provável que os preços dele sejam muito diferentes de stand para stand, no entanto tendo esperem que a etiqueta de preço deste carro tenha lá escrito entre os 2500€ e os 3000€.

7. Fiat Barchetta

O italiano surpreendente!

O Barchetta era um carro baseado no chassis do primeiro Punto. A Fiat gastou imenso tempo a aperfeiçoar o chassis, a suspensão e no final chegou a um excelente resultado. O carro é fenomenal de se conduzir e o motor 1.8 de 130 cv era excelente e curiosamente bastante fiável. Prova da fiabilidade, foi o especial de Natal Top Gear em Dezembro de 2010, onde 3 carros foram colocados à prova numa grande viagem até Belém. No final do programa o Barchetta foi o único carro a não ter problemas mecânicos (apesar dos constantes abusos) e revelou-se ser também um dos mais divertidos de conduzir apesar da tracção dianteira. Nesse programa o Barchetta estava a medir forças com um Mazda MX-5 MK2 e um BMW Z3. 
Podem ler o Teste que fiz, já faz uns aninhos, para constatar que este é um dos carros Low-Cost mais espectaculares que o dinheiro pode comprar.


Especificações técnicas

Motor 1.8, 4 cilindros em linha, 16V, 130 cv, 164 N.m de binário, 1060 kg

Prestações 

0-100km/h em 8,9 segundos | Velocidade máxima 200 Km/h | Consumo combinado 8,4 L/100km

Preços

De todos os carros desta lista, este é provavelmente aquele que vai custar mais. É que o Fiat Barchetta é um carro que tem estado a valorizar bastante. Há 5 anos atrás conseguia-se encontrar com facilidade Barchettas por 2500€/3000€, mas agora é difícil encontrar um por menos de 7000€. De qualquer das formas vale cada cêntimo.





sábado, 15 de abril de 2017


Em 2011 este blog lançou um artigo sobre as 10 dicas a ter em conta para não sermos enganados na compra de um carro usado. Passados 6 anos, a tecnologia dos automóveis evoluiu bastante e já começa a ser bastante comum o aparecimento de carros Eléctricos em segunda mão, e como tal, existem coisas novas que devemos ter atenção quando estamos a ponderar comprar um carro eléctrico em segunda mão. 

Antes de mais porquê ir para o eléctrico? Não será muito cedo? Eu penso que a resposta é que nunca é cedo de mais para poupar. Os carros eléctricos são muito económicos e têm muitas vantagens em relação aos carros a gasolina/gasóleo. Um artigo recente da revista Autohoje, mostrou que um dos seus ensaios de longa duração, o Nissan Leaf, percorreu 11.000 km gastando apenas 300€! A manutenção que o carro teve foi apenas uma aos 10.000 km e custou somente 40€ e no final das contas o carro evitou que 1913 kg de CO2 fossem libertados para a atmosfera. Ah! E para ajudar mais, os carros eléctricos neste momento não pagam IUC, o que pode significar uma poupança adicional de centenas de euros.

Isso é tudo muito bonito, mas o custo de um carro eléctrico é ainda proibitivo para o Português normal... a não ser que este opte pelo carro em segunda mão. Com modelos como o Mitsubishi IMIEV a menos de 10.000 euros e o Nissan Leaf por volta dos 12.000 ou 13.000€, são preços que já começam a ser muito acessíveis e apetecíveis. 

1. Conhecer bem as denominações
Existe pouco conhecimento do público em geral dos carros eléctricos que existem no mercado e as suas capacidades. Existe também completo desconhecimento por parte das várias denominações que os carros eléctricos e híbridos têm. Fica aqui uma ajuda.
Hybrid: Motor a combustão com motor eléctrico. Aqui existe também a denominação da Toyota do Full Hybrid, para se destacar dos Híbridos da Honda. Os híbridos da Honda têm sempre o motor de combustão ligado, enquanto que os da Toyota podem andar por um período curto de tempo exclusivamente em energia eléctrica. Modelos mais populares são os Toyota Prius, e os Honda Civic Hybrid.
Plug-In Hybrid: O motor de combustão com motor eléctrico acoplado a uma bateria de longo alcance. O modelo mais popular com este tipo de motor é o Opel Ampera, ou o Golf GTE.
Electric Vehicle (EV): Apenas possui motor eléctrico e baterias de longa alcance. Aqui os modelos mais populares são os Tesla e o Nissan Leaf.


2. Saber bem as características dos modelos
Antes de comprar um carro eléctrico, devem saber bem as suas características/capacidades. É que podem existir modelos que simplesmente não servem para o vosso dia-á-dia. Por exemplo: O Mitsubishi IMIEV pode ser um carro económico, mas a sua bateria só tem de alcance cerca de 80km e é pouco espaçoso. Para uma pessoa que trabalha a não mais de 20 km de casa, pode servir. Mas para quem, como eu, trabalha a 50 km de casa, já vou necessitar de um carro com pelo menos 120 ou 130 km de autonomia. Também é importante saber bem as características do carro que vão comprar, para poderem verificar se o estado das baterias está de acordo com o que está anunciado pela marca. 
Uma dica é visitar este site: WWW.ZEEV.PT onde tem alguns modelos de carros e de motos híbridos ou totalmente eléctricos disponíveis em Portugal, assim como as suas características.

3. Software Updates
Já sabem o que procuram e já começaram a ver os primeiros carros eléctricos ou plug-in hybrid. A primeira coisa a perguntar é se o carro tem feito os Software Updates todos na marca. Isto é importante porque estes automóveis são altamente tecnológicos e dependentes de software. São autênticos Smartphones. Ao longo do tempos os engenheiros vão lançando software updates que aperfeiçoam o funcionamento do carro e por vezes até podem dar novas características (como os modelos da Tesla). Também é uma forma de controlarem se o carro tem feito as manutenções na marca como deve ser. Mas como ver isso? Bem, se estiverem num stand oficial da marca a comprar um carro de serviço, conseguem facilmente pedir para verificar o historial de actualizações e efectuar as que faltam sem pagar nada. Se for a um stand independente, podem pedir o nº de chassis e verificar num stand oficial se o carro foi fazer as manutenções na marca e se fez todos os software updates, assim como podem verificar se existem novos updates disponíveis. 

4. Verificar os cabos de carregamento
Verifiquem as tomadas do carro e os cabos de carregamento que vieram com ele. Se tiverem muito uso, fios descarnados, etc, fujam. Isto pode provocar choques ou até incêndios. Este equipamento tem de estar impecável para vossa segurança e para não terem problemas no futuro.

5. Verificar o estado da bateria principal
Verificar a bateria principal de um eléctrico ou de um híbrido, é um "No Brainer". Aqui, mais uma vez vão ter de recorrer a um stand oficial da marca do veículo em questão para vos dar uma leitura do estado da bateria. Pedir ao stand para carregar o carro a 100% não é o suficiente para saber se o carro tem a bateria em bom estado. Este teste é super importante e não deve ser descurado pois a substituições de um pack de baterias é muito dispendioso.

6. Verificar o estado da bateria de 12V
Nos carros híbridos e plug-in híbridos o carro comporta-se de maneira a usar o menos possível o motor de combustão para poupar combustível. Apesar do carro ser híbrido a bateria de 12V ainda serve para alimentar o motor de arranque e outros aparelhos eléctricos no carro. Como é o motor de combustão que está encarregado de carregar a bateria é de esperar que esta não esteja em boa forma já que é carregada com menos regularidade. Este é um diagnóstico simples que pode ser feito em qualquer oficina que se preze. Basicamente ligam uma máquina que vos dá uma leitura de quanta carga é que a bateria consegue aguentar. Se a bateria não estiver em bom estado exijam a substituição dela, antes de adquirir a viatura em questão, pois para além de terem uma maior probabilidade de ficarem a pé, a baixa voltagem da bateria pode provocar funcionamento erróneo de alguns sistemas eléctricos do carro.


7. Verificação geral do sistema
Já que vão ligar o carro para descobrir qual é o estado da bateria principal, peçam também para fazer um diagnóstico ao carro. Podem existir erros e outros problemas que nem o vendedor esteja ciente de que existem. De lembrar que normalmente estes erros são facilmente corrigidos com um update do software... Se for uma coisa mais grave, o melhor é deixar a viatura para outra pessoa.

8. Com quantos Km devo comprar um carro eléctrico/híbrido?
Já é sabido que as baterias degradam-se consoante o seu uso e é sabido que quanto mais se degradam, menos autonomia fica disponível para usufruir. Em média, por cada 50.000 km perde-se 10% da capacidade total da bateria. Ou seja, se um carro tiver uma autonomia de 100km, daqui a 50.000 km o carro irá ficar com uma autonomia de 90km. Também é preciso ter consciência que existem 2 modos de carregamento de baterias, o normal e o rápido. O carregamento rápido, pode carregar a bateria de um carro em muito menos tempo, mas também, vai colocar a bateria sobre um stress maior e vai degradá-la mais rapidamente. Daí que os 50.000 km são um indicativo do estado da bateria, mas ainda assim devem realizar um teste de diagnóstico à bateria para não ter surpresas desagradáveis.

9. Com quantos anos é que devo comprar um carro eléctrico/híbrido?
Um carro eléctrico/híbrido quando é vendido normalmente tem uma garantia para a bateria. Esta depende de marca para marca. Por exemplo, no caso do Nissan Leaf, a garantia é de 5 anos ou 100.000 km (o que ocorrer primeiro), e se dentro desse período o carro apresentar menos de 9 barras de carregamento das 12 disponíveis, a Nissan, compromete-se a substituir as baterias por umas novas. No caso do modelo mais recente do Leaf (30kWh), a Nissan dá 8 anos de garantia um 160.000 km (o que ocorrer primeiro). Eu diria que é sempre importante ter alguma garantia de fábrica disponível quando se vai adquirir um veículo destes, por isso vejam se o carro em questão ainda tem garantia de fábrica. Se o stand que vos está a vender o carro vos der garantia, verifiquem bem se a garantia tem a bateria incluída e até que nível de prestação é que a bateria tem de ter para o stand ter de repará-la.


10. Verificar o resto.
Um carro eléctrico ou híbrido é ainda assim um carro, daí que todas as coisas que normalmente devemos ter atenção na compra de um automóvel, também se aplicam nestes veículos. Sim é certo que no caso de um veículo eléctrico, não vamos estar a ter atenção a fugas de óleo, mas tudo o resto é para verificar. Pintura, chapa, pneus, direcção, suspensão, equipamentos eléctricos, etc, etc, etc. Também é fundamental fazer um test-drive para verificar se a viatura está em bom estado ou não. Podem ver aqui mais algumas dicas para comprar carro usado.  









sábado, 8 de abril de 2017

On 16:45 by Luís Santos in , , , , , , , , , ,    No comments
A vida é demasiado curta para conduzir carros aborrecidos, e como tal, houve um momento na minha vida que disse a mim próprio que havia de comprar um carro desportivo que fosse muito divertido de conduzir. 

Durante anos pesquisei de forma compulsiva por anúncios nos sites de classificados, li imensos artigos, vi muitos canais youtube e programas de televisão de forma quase obsessiva. E depois quando vi que já tinha capacidade financeira para adquirir o desportivo, procurei ainda mais afincadamente durante 2 anos. E durante esses 2 anos, conduzi uma data de carros e decidi fazer aqui uma lista dos carros mais divertidos que conduzi. Porque o que realmente interessa é que o carro nos dê gozo de conduzir e que nos faça sorrir enquanto estamos ao volante. 

1. Toyota MR2 (3ªGen)


O Toyota MR2 de terceira geração é visto por muitos como um passo atrás que a Toyota deu em relação à 2ª Geração que foi e ainda continua a ser aclamada por muitos, mas a terceira geração do Toyota MR2 é na verdade uma pérola do mundo automóvel. A sua leveza (960kg), e o facto de ter o motor mesmo atrás das costas, faz com que seja um verdadeiro mimo de se conduzir. O motor 1.8 de 143 cavalos responde bastante bem e gosta de trepar pelas rotações acima. E claro, o facto de ser um carro com tracção traseira significa que é possível fazer umas atravesadelas sem grande dificuldade. Para além disto tudo ainda acresce o facto do motor ser bastante económico em andamento normal e de ser um carro extremamente fiável (desde que comprem a versão com caixa manual de 6 velocidades, pois a caixa automática sequencial era um autêntico pesadelo). 

2. Audi TT Quattro (1ªGen)


O Audi TT Quattro é um carro que nos dá diversão por razões completamente diferentes das do carro de cima. Eu gostei particularmente da sensação de segurança que o carro dá quando entrei nele e o cockpit é lindo. Os 225 cavalos de potência são extremamente agradáveis de se utilizarem já que quando o Turbo entra em acção, o carro dispara mesmo. O sistema Quattro também vai permitir fazer curvas com mais velocidade e mais segurança e isso é o que torna este carro engraçado de se conduzir, pois fazer uma curva a velocidades estonteantes dá sempre um gozo do caraças. No final de o conduzir, não podia estar mais do que impressionado com a sua performance e sensação de segurança, também é verdade que o carro é muito bonito tanto por dentro como por fora. 

3. Fiat Barchetta 


Este carro surpreendeu-me tanto, mas tanto, que só não o comprei imediatamente porque o carro que estava a ser vendido tinha um problema no ABS (não funcionava). Ora este carro surpreendeu-me, porque o motor apesar de ser só um 1800, cantava de alto e bom som, apesar de ter só 130 cv, era rápido (pesava só 1060kg) e o facto de ser tracção dianteira não significava que fosse chato de conduzir, aliás com algum conhecimento e kit de unhas, conseguia-se soltar a traseira do carro e fazer um bom slide. Na altura também era um grande negócio pois com cerca de 4000€ já se comprava um carro destes. Não sei que pós é que a Fiat colocou neste Barchetta, não sei se os plásticos do carro tinham alguma substância psicotrópica, mas a verdade é que tudo naquele carro me fazia sorrir.

4. Abarth 500C (Escape Record Monza)


Se uma coisa que os italianos sabem fazer são pequenos desportivos e o Abarth 500 é sem dúvida um dos desportivos mais porreiros e divertidos que eu alguma fez conduzi. Mais uma vez a leveza e as suas proporções pequenas de chassis, fazem com que seja um carro extremamente ágil em curva e bastante rápido em aceleração. A versão que testei era o modelo base, mas mesmo com um motor 1.4 turbo de 135 cavalos, este carro andava "pra caraças". E depois o escape Record Monza era um verdadeiro festim para os meus ouvidos. Caixa de velocidades precisa e rápida, direcção bastante directa... Enfim, tudo o que um carro desportivo deve ter empacotado num carrinho tão pequeno só pode dar bom resultado!

5. Mazda MX-5 (3ª Gen)


Qualquer lista com carros divertidos de conduzir não está completa sem o Mazda MX-5, o roadster lendário da Mazda que nos dias de hoje continua a fazer as delícias dos entusiastas de automóveis um pouco por todo o mundo. Já conduzi todas as gerações de MX-5 (excepto a quarta geração) e posso dizer que são todos carros muito divertidos de se conduzir. A que eu vou falar aqui é o modelo 2.0 da terceira geração com 160 cavalos. Meus amigos, isto é o nirvana da condução. O motor 160 cavalos é mais do que suficiente para ter grande quantidade de diversão e já permite atingir velocidades em tempos tão curtos que se não tiver cuidado ainda fico sem carta. O motor responde bem, a suspensão bilstein é um mimo, a caixa de velocidades é espectacular e a direcção é super directa. O som é incrível... O barulho da indução com o aumentar das rotações e ouvir este motor a cantar às 7000 rpm é épico. Não pensem que este carro é fofinho e inofensivo... Isto aqui já é uma arma e se não souberem o que andam a fazer. Mas é como eu digo, seja o 2.0, ou o 1.8, ou o NA ou o NB, ou até mesmo o NC 1.5 ou 2.0, se estiverem à procura de um desportivo, o Mazda MX5 tem de estar sempre na vossa lista de candidatos. 

Aqui têm! Se por acaso andam à procura de um desportivo económico para satisfazer as vossas necessidades automobilísticas mais desportivas, estes 5 carros vão com certeza, encher-vos as medidas e não vos vão deixar desapontados. A mim não deixou, e apesar de ter escolhido um carro desta lista (conseguem adivinhar qual é?), os outros que deixem no stand, eram também muito bons, e tenho a certeza que se tivesse ido para qualquer um dos outros, também não me ia arrepender. Espero que esta lista vos ajude. Até outro dia! 

segunda-feira, 13 de março de 2017


Portugal pode ser um país pequeno, mas ainda assim, existem muitos entusiastas de automóveis com os bolsos bem recheados de dinheiro.

Hoje apareceu no Standvirtual um carro raríssimo da Jaguar. Trata-se de um F-Type Project 7. Para quem não sabe, foi uma edição limitada a 250 unidades que leva o conceito do F-Type ao extremo. Com o motor de 5000 cm3 a debitar 576 cv de potência consegue atingir os 100 km/h em apenas 3,8 segundos. Não é apenas um Jaguar raro, este é também o Jaguar mais rápido de sempre. 


O F-Type Project 7 foi feito em homenagem Às 7 vitórias nas 24 horas de Le Mans que a Jaguar conseguiu obter com o D-Type. Aliás, tal como o D-type, todo o chassis do F-Type Project 7 é totalmente em alumínio, o que faz com que perdesse 80 quilos em relação ao modelo de produção normal com motor similar. 


Sabe-se que 50 destes F-Type Project 7 foram para o USA, daí que apesar do preço avultado, investir neste carro é ideia melhor do que depositar o dinheiro no banco. É um clássico instantâneo e o seu valor só tem tendência a subir. 

Por enquanto, podem ver o anúncio aqui no Standvirtual. Para além disso, também podem ver 2 carros muito especiais que já estiveram à venda nos classificados portugueses. Falo do Maserati de David Coulthard e do Aston Martin encomendado pela família real do Brunei.






segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Os japoneses nos finais dos anos 80 e inícios dos anos 90 deram ao mundo os mais espectaculares e inovadores carros desportivos. Nessa época, a economia japonesa estava em altas e as marcas de automóveis, que até há pouco tempo restringiam-se a vender carros utilitários para todo o mundo, viram-se com dinheiro para investir e quiseram subir a fasquia para os mercados premium. O resultado foi carros como o Honda NSX, ou o Nissan 300ZX, Toyota Supra, Mitsubishi 3000 GT, a criação da Lexus e muito mais... 
Na altura, também a Subaru estava a querer dar nas vistas, depois de todos os seus concorrentes terem feito carros que espantaram o mundo, a Subaru necessitava de um "Halo Car" para que as pessoas falassem da marca e visitassem os seus stands. Foi então que a Subaru avançou com o SVX, um sonho que os engenheiros da Subaru quiseram tornar realidade.


SVX quer dizer Subaru Vehicle X. Foi um carro que em termos de design foi desenvolvido em cooperação com Giorgetto Giugiaro. Não existe nenhum carro como este. Na altura era um carro extremamente futurista com um cockpit inovador que dava ao condutor uma vista da estrada e do seu redor bastante ampla. As janelas do carro não acabavam na extremidade da porta como é convencional, mas sim a meio da janela... O resultado era estranho, mas tinha uma vantagem bastante grande quando o condutor as abria com o carro em andamento, assim o vento entrava no carro de uma forma mais suave e logo mais agradável. Aliás um das grandes premissas deste carro era o conforto sem sacrificar a performance. Sim, a marca que é conhecida pelos seus carros à prova de bala que dominaram os troços de rally nos anos 90, criou um carro tão confortável, que até punha metade do cinto de segurança quando entravam dentro do carro!

Voltando ao Cockpit, desenvolvê-lo, foi um pequeno pesadelo para a Subaru. A forma arredondada dos vidros e a quase ausência de um pilar B trouxeram vários problemas para a rigidez do chassis e para a produção do vidro para os pára-brisas. Mas a Subaru não olhou a despesas e determinou que este cockpit era uma forma de destacar o SVX da concorrência. Uma das dificuldades era a grossura do vidro que distorcia a visão da estrada o que trazia graves problemas a nível de segurança. Também como este carro tinha uma maior superfície de vidro em relação aos outros, a Subaru teve de arranjar um vidro que não fizessem efeito de estufa em dias de sol. Mas eles conseguiram e mesmo nos standards de hoje este cockpit foi um feito de engenharia incrível e até hoje continua a ser um design original.


Os engenheiros da Subaru requisitaram para este SVX o maior motor que tinham disponível na altura. Um motor boxer 6 cilindros 3.3 litros, capaz de produzir 230 cv de potência e 310 N.m de binário. Como era de esperar, era um carro com AWD, com sistema Variable Torque Distribution. O que isto quer dizer é que sempre que uma roda perdesse tracção o binário era transferido para as outras, isto aliado com diferecial autoblocante e um sistema ABS de 4 vias (ou seja um sensor por roda), fazia com que este carro tivesse um comportamento em estrada fenomenal seja em que condições que a estrada tivesse. Arranques com chuva? Destruía completamente qualquer outro carro. Curvas? Era um automóvel extremamente neutro, nem subviragem, nem sobreviragem, um automóvel em que o condutor podia entrar em qualquer curva a uma velocidade elevada sem problemas. Aliás podem ver nestes dois vídeos o quão incrível era este automóvel a nível técnico. 



Por esta altura podem estar a pensar. Bem este carro era tão espectacular, porque é que nunca ouvi falar dele? Bem, o SVX tinha um calcanhar de aquiles e essa foi ter como única opção uma caixa automática de 4 velocidades. Era uma caixa pouco fiável, pois foi uma caixa que tinha sido desenvolvida para motores com 88 cv de potência. Digamos que quando colocaram a caixa de velocidades num motor com mais de 200 cv, obviamente que só podia dar asneira. Mas a decisão para colocar uma caixa automática foi perfeita para a filosofia deste carro. Os engenheiros da Subaru não queriam fazer o melhor carro desportivo, na altura, era o que todas as outras marcas estavam a tentar fazer, o que a Subaru se propôs a fazer foi o melhor Grand Tourer que o mundo alguma vez viu. 

Nobumasa Saeki (Director Geral da Subaru) quis desenvolver um carro que fosse confortável e que envolvesse o condutor na experiência de conduzir. Aliás, foi por causa do querer envolver a pessoa na condução que a Subaru teve tanto trabalho em colocar o mais vidro possível no cockpit do carro. O sistema AWD fazia com que a pessoa que conduzisse este carro pudesse ir do ponto A ao ponto B sob qualquer circunstância temporal, sem dramas e sem preocupações. Aliás, o carro era tão bom em grandes viagens que o slogan que a Subaru escolheu para o carro foi "500 miles a day".


Infelizmente, as pessoas não se interessaram muito pelo SVX. Preço era demasiado alto e quando foi lançado o Impreza, o SVX acabou por cair no esquecimento. Os poucos modelos que existem neste momento, têm um valor comercial bastante baixo, apesar da sua raridade, mas é possível que daqui a uns anos, o valor do carro suba exponencialmente, pois é sem dúvida um carro único. 

Se por acaso virem um à venda e pensarem em não o trazer por causa do problema da caixa de velocidades, existem várias maneiras de colocar outras caixas de velocidades mais robustas ou até mesmo colocar uma caixa manual. Já todos sabemos que os engenheiros da Subaru adoram fazer carros que tenham a maioria dos componentes compatíveis com outros modelos, o SVX não é excepção. Se por outro lado quiserem manter o carro original, tenham cuidado com arranques e acelerações bruscas. Também é de referir que apesar de ter uma caixa automática, existe um modo manual, onde o condutor pode escolher a velocidade que vai, o que é um bom extra e mais uma característica única deste SVX.

Podem aprender mais sobre este carro vendo série de vídeos que a Subaru fez para quem comprava o SVX (Uma espécie de manual do carro em vídeo). Também podem ver a review do carro no Motorweek ou a sempre interessante review do Mr. Regular, do Regular Car Reviews.
Para além disso também podem ler este artigo do blog Japonese Nostalgic Car. É um artigo bastante interessante que penso que faz uma boa cobertura deste carro e dos seus criadores.

O Subaru SVX foi um sonho que os engenheiros da Subaru perseguiram de forma determinada. Foi um carro difícil de desenvolver, foi um carro onde a Subaru perdia 3000 dólares por cada SVX que era vendido e mesmo assim, apesar dos contras todos, foi um carro que foi tornado realidade. Foi pena que o sonho da Subaru não estivesse em sintonia com aquilo que os clientes sonhavam, que na altura era ter um carro Japonês de alta performance mas a um preço bastante reduzido face à concorrência Alemã e Americana. É um carro que fica para a história e é um carro com um potencial de valorização bastante elevado. Por isso se virem um, agarrem-se a ele!